Poesias
A nossa poeta de hoje é Ruth Barbosa Sampaio, uma juíza que ministra na área trabalhista e escreve poemas e outros textos literários desde a adolescência.

Trata-se de mais uma grata surpresa que a Primeira Antologia Virtual com os Novos Poetas Amazonenses traz ao conhecimento de quem nos acessa nesse site.

Nunca publicou nada. Mas se quisesse, poderia fazê-lo. Seus textos têm substância. Confira-os.

 
Flores
Flores, lindas flores me deste amor
naquela tarde mágica, iluminada,

nada havia, nada, de mais valor

que este teu gesto dizendo-me: És amada!
 

Abraçei-as aspirando o suave olor,
vislumbrei tua face, tua face amada
e ternamente sentindo sabor

de teus lábios...beijei-as apaixonada.  

Contive as lágrimas ao recebê-las,
nunca pensei, nunca que pudesse tê-las

das mãos do homem do deus por quem clamo.

O cartãozinho a mim endereçado,
a tua linda letra e nele grafado,

o universo em duas palavras: Te amo!

 

 
Sonho de criança
Foi na infância, primavera da vida
que construiste teu castelo de sonhos,
pobre criança, tola, iludida,

os homens são maus, o mundo medonho.
 

Teus olhos tão ingênuos e tão puros,
beberam amarga realidade,

hoje são eles espelhos escuros,
lagos sombrios, abrigos de saudade.
 

Criança boba eterna sonhadora,
creste na vida, dama sedutora

que ofuscou-te o sorriso juvenil.
 

Foi-se o castelo, também a criança
quedou-se à terrra, sonho, esperança

era de cristal o teu céu de anil.

 

 
Madrugada
Cai o orvalho, suave véu de seda
sobre a cidade, esfinge adormecida,

a brisa passeia entre alameda,
erguendo do chão flor esquecida.
 

Teria ela perfumado frágil mão?
quem sabe, mimo esquecido dum amante

ou seria só flor, doce ilusão
que não passou de breve, vago instante?
 

Mais à frente na estrada sombria,
viu-se um vulto de alguém que fugia,
era noite soluçando de dor.
 

Flor, orvalho, verdade ou fantasia
que importa se são seres da poesia,
nascidos dum pleno ato de amor. 

 

 
Floresta em chamas
Fogo! Fogo! Tudo está em chamas
fogem animais cheios de pavor

é a floresta que ao vento inflama
 
erguendo os braços em gritos de dor.
 

Espessa fumaça macula os céus
furtando-se ao sol o vívido esplendor,
encobrindo a mata com negros véus

ocultando a Deus, tamanho horror!
 

Homens se agitam por todos os lados,
meio às labaredas, monstros alados,

tentando em vão, sua fúria aplacar.
 

Do espaço febril de intenso clarão,
salta aos olhos mórbida visão:
mar sangrento que a todos quer tragar.

 

 
Sofhia
Dormia Sofhia em lençóis de seda,
exibindo aos céus o seu esplendor,

a lua dourada, cálida e leda

beijava seu corpo ébria de amor.
 

O sol com ciúmes à lua perguntava
se ela dele não mais se apercebia
a lua voltando-se a ele falava

que só via uma flor, a bela Sofhia!
 

Não sentindo a lua pelo sol mais amor
dizia a ele para só vê-la de dia

e todas as notes buscava calor

nos rubros lábios da doce Sofhia

À noite, o sol em sombras se escondia,
chorando sozinho a ausência da lua
que todas as noites ao leito descia
a amar Sophia tão pura, tão nua.

Dias e noites o sol e a lua,
traziam aos olhos luz e poesia,
andando distantes na mesma rua,
ora a chorar, ora a ver Sophia.

E o sonho se foi e também foi Sofhia,
em lençóis de seda para outro lugar,
e todas as noites a terra vazia,
a lua escorria tão triste a chorar

 
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