Po(her)esias
Os poemas da série Poe(here)sias vão em várias direções, sem fórmula, sem fôrmas, sem necessariamente terem que chegar a lugar algum. Foram escritos em tempos diferentes nos últimos 10 anos. Como não sou poeta nem persigo reconhecimento nesta área, não me importei com efeitos estéticos ou de conteúdo ao produzi-los. Fi-los porque...enfim. Mas que isso não passe a impressão de que para mim poesia não é coisa séria. Pelo contrário. Entendo, no entanto, que não deve ser séria de mais a ponto de deixar emburrado quem dela pretende se aproximar. Ou não seria nada disso?
Já dizia Greg
Optei-me, Juliana
Por mim, optei
Cansei!

Cantei essa bola que beirava
a caçapa. Encaçapei-a
Encaçapei-te!

Escapei. Ex-catre teu sou
Quer dizer, não sou mais
Captei-me!

Decaptei o teu desamor e
captulei a dor. E hoje vou
Vôo!

Caravelas às vessas. Travessas
Travesso estou. Você, Juliana, travou
Atravessou na contramão, atravancou-me
Ilusão!

Tropeçou. E trapaçeou na maçã
Até, cunhã. Optei por mim
E ai de mim que não o fizesse
Fiz!

Entristece, sei. Reprisei os bons e maus momentos
Úvula, entalei-me. Abri contagem
Levantei-me. Válvula, optei-me
Ju!

 

 
Já dizia Hurubhurro
Papagaio daqui não sabe falar
não aprendeu na infância, moço
a lição do bê-a-bá

É touro brabo amarrado,
jacaré desdentado,
peixe fora d'água
andorinha solteira...bom demais!

Papagaio tali, mas não sabe se estar
tem nome de povo, joão
quer se identificar

O que sente não importa
é porco de alma morta, barco sem cais,
pergunta sem resposta...bom demais!

Papagaio, tadinho, não se cansa de apanhar,
mas não tem jeito, Maria
tudo que faz é gaguejar.
E olha que o furação
vem ano sim, ano não
e o diabo dessa ave, nunca põe os pés no chão...bom demais!
Para esses caras de lúcifer. Espeto de povo é o que eles adoram
comer. São peçonhentos travestidos de amigos leais. No fundo,
no fundo...ai de você.

 

 
Já dizia Baudrillard
massa, substantivo abstrato massa signo insignificante
massa na boca do alto-falante massa eco de palanque
absorve tudo mas não reflete nada massa não caminha
nem está parada

massa como pastel massa amassada massa como arrastão
massa arrastada massa não é sujeito é sujeitada massa
adora uma palhaçada está no nível do inconsciente não
sente nada massa é dormente

massa objeto inerte e silenciado massa buraco negro dos
anulados massa eletronicamente teleguiada massa sem
razão e simulada resíduo social da sociologia massa
ponte-aérea pra demagogia

massa referente sem referencial massa como existência
glacial massa incógnita da equação política massa bola
de cristal das estatísticas assim tratada massa é um
perigo tanto para si quanto para o inimigo

massa equivalente terrorismo
massa equivalência de todos os ismos

 

 
A Pasta
A pasta não é a mesma. A madeira substitui o couro
Tampouco repousa sobre a mesa; é mesa repousada
sobre pernas mancas.

Do lado, um tamborete. Ou um flanco encostado em algo
Ganha mais quem corre atrás e, por isso, vende mais; bombons, bananas fritas, chicletes, amendoins, cigarros a retalho...todos em retalho.

Ambulante, abuso de paciência. Ritual de obediência ao tempo,
ao tape de ontem, ao, ao, ao, au, au, au, aiau...
...sai pra lá chachorro pirento. Rapá!

Afinal, a pasta não é a mesma. O couro também é substituído
pelo isopor, onde a dor, congelada, é oferecida em vários sabores:
goiaba, coco, leite, açaí, maracujá, taperebá e cupuaçú. Quem não quiser vá...

Porque é tudo da Massa, legítima dor
E o que é melhor: não custa quase nada
Definitivamente, a pasta não é a mesma. Alguém duvida?

 

 
Sem Nem
Sem regras. Sem tréguas. Sem léguas. Nada
de distância, amor. A inconstância é matriarca da existência
Resistência tem quem pode suportar a dor
e a alegria de amar. Sem necessariamente queixar-se ou
vangloriar-se de ter vencido o vencedor.

No fundo, a paixão é daltônica
O beijo, supersônico
Onírico é o desejo - mão da contramão da ilusão.

Sem nem. Sem não. Sem talvez
A réstia é visível da estrela quase tangível que despenca
O pedido tem que ser feito no ato: queres rio ou mato?

Reparo. Reparas, minha flor. Gostamos mesmo
é da provocação da felicidade - misto de obsessão
e ansiedade. No mais, o que sobra é pura vaidade.

 

 
País Desmiolado
Estão nascendo...
filhos desprotegidos
de pais desnaturados
de mães, filhas de outras mães solteiras
de um país desgovernado

Estão crescendo...
filhos desassistidos
perdidos dos pais desbundados
de filhas-mães de outras mães solteiras
de um pais desajustado

Estão sofrendo...
filhos desamparados
de pais desesperados
de mães-avós de outras mães solteiras
de um país desavergonhado

Estão morrendo...
filhos degredados
de pais desempregados
de filhas-mães-avós de outras mães solteiras
de um país desmiolado

Tudo isso, creiam, em ritmo neoliberado

 

 
Amor Mitológico
Vai ver que foi Rudá, mesmo, quem nos cruzou o caminho
Tudo bem que Guaraci estava lindo no brozeado de tua pele
Fresquinha
E que a magia de Jaci - na ocasião cairé ou catité, não me recordo
refletida em ti, refletia em mim a alegria que não tardaria a vir: em
revoadas de Uirapurus, Anhanguaras,Iaras e nas macacadas de Saci
E vivi
E vivo
E viva essa amor de Índio, enquanto Curupiras, Mapinguaris, Juruparis e
Caiporas nos protegerem
 

 
Dilúvio
Que venha o dilúvio
- não me importo
E não me falem em arco-íris
Chega
Cansa
Que a água se faça senhora e venha
- boa, podre, preta, branca, limpa, suja, forte, fraca, cheirosa ou inodora,
de qualquer cor e até incolor
Abra as comportas e venha
Isso mesmo, entorne-se e venha, dilúvio
Qual tralha qual o quê?
Não! Ninguém pescará nada
Nadar? Debalde
Cão, traga-me o dilúvio-irmão
- como se fora Caim
Pobre de mim que não sou Noé
No, és?
Veremos quando a água chegar
 

 
Ai!ds
Quedou-se
Quedaram-se os tabus
Agrupou-se
Agruparam-se os desejos
Variou-se
Variaram-se as viradas e viagens
Ufa!
Fuá!
E a liberdade-libélula se nos apresentou emagrecida, difícil de ser
interpelada
Melhor seria que não tivéssemos corpo
Apenas o espírito e o gosto
Para que não viéssemos a sentir ódio do amor, por caso, molestado
 

 
Estadofálico
Aos olhos do Estado,
que é cego, surdo, mudo e fálico,
cuidado onde vais sentar o rabo
 
 

 
Assalariado
assalariado
salariado
alariado
lariado
ariado
riado
iado
ado
do
o
_______________
0
 
 

 
Cio
Num canto da boca tu passas a língua
Mesmo a distância sinto roçá-la em meu corpo
Olho teu rosto, estás a sorrir
Tento beijar-te, mas foges de mim
Cadela no cio...
 
 

 
Circo furado
A vida é um circo furado
onde as pessoas aplaudem o meu sofrimento
tenho fome
tenho frio
quero água...

Quero a parte que me toca nesse mundo
bem no centro desse circo furado
dos aplausos quero apenas tuas mãos
que culpa tenho eu se o Sol me veio embiocado?

Sou filho das ruas
fruto da sua masturbação pública
sonho acordado, jogado, cheiro
colado nas esquinas desse imundão

 

 
Harmonia
Se a harmonia não fluir nesta poesia
Releve
que a vida é vaca tonta
produto da sincronia dos carmas
fardas
farsas
hiprocrisias

Então, se a harmonia aqui é sórdida
Retese
o peito e vá à luta
que a puta é filha da vida
produto da sincronia dos carmas,
galas
corpos
ogivas

 

 
Universidade
Universidade?
Hum...
Une? Verso de idades
- umas avançadas, outras em plena puberdade

Universidade?
Hum...
An? Verso de adversidades
- uma pautadas em argumentos coerentes,
outras discretas barbaridades

Universidade?
Uh! Ah!
Quanta comodidade...
 

 

 
O Zé das ruas
Meu nome é zé
órfão de pai e mãe
a minha casa são as ruas
em qualquer delas estou bem

Meu nome é zé
órfão de pai e mãe
tudo que sei vem das ruas
tudo que quero também

Meu nome é zé
para muitos, lheguelhé

& vago nas ruas
& bebo as ruas
& como as ruas
& cago nas ruas
& mijo as ruas
& cheiro nas ruas
& alegro as ruas
& entristeço nas ruas
& durmo as ruas
& acordo nas ruas
& dou vida as ruas
& e mato as ruas

Meu nome é Rua
todas elas zé

 

 
Depois das oito
Sem sal
Sem açúcar
Quero teu corpo, depois das oito
Mas só se você estiver a fim

Sem álcool
Sem drogas
No claro ou no breu das tocas
Quero teu corpo, depois das oito
Mas só se você estiver a fim

Perto das nove mudo tudo
Te quero, enfim, de qualquer jeito
Morder teu corpo
Roçar teu peito
Sem versos
Sem poesia
No fim da noite
Começo do dia

Te quero mais
Com a pureza dos anjos
Com a fúria dos canibais

 

 
Tão bom
Tão bom
Tão pouco
Tão bonito
Tão louco
Tão forte
Tão dengoso
Tão real
Tão gostoso
O amor...
Eu, particularmente, prefiro à prestação
- com carinho e tesão
 
 

 
Pedregulho
Então...
sejamos pedra
pega eu
pedra, tu?
Digamos que sim
pedra eu
pego, tu?
Sim...
sejamos pedregulhos
entulhos pregados
pedrados
sejamos
caminhos de pedra
pedras no caminho
pegados no ninho
pegadinhos
 

 
Insanos
Éramos três librianos
Ou melhor, três fulanos
Quer dizer, dois e um beltrano
Digo, um dois sicranos
Engano, três insanos
 

 
Tempo
Tempo pra isso
Tempo pr'aquilo
Tempo de paz
Tempo de grilos
Tempo de dar
Tempo de receber
Tempo de acordar
Tempo de adormecer
Tempo de plantar
Tempo de colher

Tempo...

São tantos os tempos
Outros são como temporais
Tempos bonitos
Tempos que não voltam jamais
 

 

 
Insônia
O apito da molecada jogando bola
ao cair da tarde
Confunde-me na madrugada com
o apito do guarda
Prolonga-se com o badalar do sino
da igreja São Sebastião
Joga os meus ouvidos num silêncio
infinito
De infinita solidão
Exacerba o tédio
As minhas pálpebras se tocam,
mas não se copulam
Os meus pensamentos viajam em
labirintos escuros
Os nervos sobem à flor da pele
Machucam a região do globo ocular
Dá-me uma vontade louca de desmaiar
Só pra não ver o Sol nascer...
de novo
 

 
Draconiano
Ouço o silêncio do teu grito
ecoando, violentamente, por todo o meu ser
E tomo da tua mágoa, amarga,
leite condensado
Calado, refugiu-me no anoitecer

Morcego, vesgo
Teu corpo é o meu puleiro
Amor, nem bebo
Pena, tão-somente do primeiro

 

 
Benjamin
Benjamin
Beijo, sim!
Essa terrinha trigueira
Esse chão de fronteira
Meu pedaço tupiniquim

Se o Sol cai no Javari
Quando estou longe de ti
Lembro-me da tua alvorada
Passarinho na calçada
Sereno feito geada

Ora...te que quero, sim!

Cunhantã, menina-flor
Ainda que tu me esqueças
É todo teu o meu amor

Benjamin
Beija-me Constan...temente
Sim!

 

 
Eu
Existe um cara que me atormenta
- chora, implora, lamenta
Outro que vai por aí afora
- disfarça, faz graça, namora
Um outro que eu conheço muito pouco
- mesmo sendo normal o chamam de louco

Esse cara sou eu!

 

 
L(í)ngua
Minha língua
Ah, minha íngua
Perdida entre o cheiro e o desejo
Quando te vejo
Quando te beijo
Quando te deixo
Minha íngua
Ah, minha língua
Se enche de dor e mais
Quando te vais
Quando não voltas mais
Quando te quero mais
Minha língua
Ah, minha íngua
 

 
Signos
Palanque
- mundo feito de mímicos e sínicos
Favela
- submundo de dor e miséria
Estado
- mundo de saf e safados
Cidadão
- indivíduo na contramão
 

 
Sobressalto
Vivia sobressaltado
Os olhos, degregados, insistiam
em fixar imagens de um
mundo em permanente
asfixia
 

 
Poesia de Mãe
Ah, não...
De novo na rua, marcelo?
Pega ele, cachorro!
Meu Deus...
Marcelo, filhinho, olha o cão
Passa!
Passa!
Passa, cão filho da mãe
 

 
Amor Brilux
Quero morre de boca
- na boca
Quero morrer em coma
- na lama
Quero morrer de corpo e alma
- na calma
Quero morrer em chama
que não se apaga
- nunca!
Inflama
Em flâmula
Quero morrer em flama
Em transe do mais puro amor
Brilux
 
 

 
Simplicidade
Eu ando mesmo descalço
- e no meu encalço, às vezes,
a minha sombra.
Eu ando livre,
só assim se vive
e vivo a vida,
pintada de cores vivas.
E tenho a paz,
banhada de sonhos bons,
tons,
batons,
sons,
eu tenho o beijo.
O meu caminho é largo,
o meu passo é curto,
devagar meu corpo vai
- cai, não cai, cai não
E tem mais:
a alegria da abundância
e a esperança em mim se fazem
Moço, nem queira saber,
o meu mundo é pobre,
nele só vive nobre
de amores invernais
 

 
Não sei
Não sei
Nem queira saber de mim
Não sabes
Nem sei porque era assim
Beijou-me
Assanhou-me o corpo
Afagou-me o rosto
Pra completar, disse-me que
estava a fim
Trocou-me o nome
Mostrou-me que o homem e o lobisomem
Estão próximos, sim
Então me largou
Assim como me beijara
Escapuliu de mim
E eu queria, enfim
O homem e o lobisomem
Tudo em mim
 

 
Declaração
Que a solidão seja um breve espaço
entre dois amores - nada mais!
Na minha mão a linha da vida é curta
- dizem!
Que o nosso amor caminha na mesm direção
- sem ilusão não se vai a lugar algum!
Se o teu sorriso fosse comum,
não haveria porque me encantar
Se o teu olhar fosse mais,
por que eu deveria notar?
Lindo o beija-flor, né?
Então, imagina-o sem a flor
- beija-me!
 
 

 
Suicida
Na madrugada um flamenguista
atravessava a Djalma Batista,
vitorioso. Mas ders
Tudo que
ele queria naquele momento
era que um carro lhe arremessasse
para o outro lado da avenida
...preferencialmente morto.
 

 
Roleta-russa
estamos PERDIDOS
estamos AFLITOS
com MEDO do mundo que
CRIAMOS
acendam as VELAS
quando forem pro QUARTO-CAIXÃO
não tirem a CAMISA em caso
de amor
esta é a CARA da geração que hoje somos
esta é a COLA que no mundo inteiro
ESPALHOU--SE
(d)aideticamente...
mas VIVER é também isso: CORRER PERIGO
e CORRER PERIGO é viver AQUI
a agulha que cessa a tua DOR
pode ser a mesma que me causará PAVOR
estás lembrado da hora em que NASCESTES?
estavas AFLITO
ficastes PERDIDO
sentistes HORROR
MORRER não é
DIFERENTE
 

 
O mato como meio
Lá no meio do mato
o cheiro do café convida
o compadre atraca a comadre e todos gozam a vida

Curumins fazem festa no chão
toldam as margens do rio
passeiam em suas canoas
desafiando o boto no cio

A noite cai como um véu
as lamparinas queimam pavio
num canto a coruja encanta
seu canto provoca arrepios

Lá no meio do mato
o mistério é um desafio
 

 

 
Tudo é você
A lua é você
Deus é aquilo em que acreditas
Crença, alimento do espírito
Grita, logo existes

O sol é você
O amor é aquilo que inventas
Tenta, qualquer coisa se consegue
Leve só a calda do vento

A água é você
Sede é aquilo que procuras
Gruta, qualquer coisa que te protege
Bebe, na fonte do prazer

A terra é você
Só colhes aquilos que plantas
Vales o quanto pesas
Burra é quem não procura se conhecer

 

 
Masturbação
Meu leito
Meu deleito
de introspecção.
Me deito
Me ajeito em
meio à escuridão

Acho você!

Lembro o teu rosto
Vejo o teu corpo
Sinto o teu gosto
- que lindo
Você surgindo
E o amor fluindo
na palma da minha mão

 

 
Música del amor
De momentos faremos nuestra música
Nosso ais ditarão el compasso
Passo a passo la harmonia inteira

De beijos, carinhos e sussurros serão
nuestros acordes
Não dormiremos enquanto el som se fizer

De pé
Deitados
Sentados
Dançaremos à meia-luz
Rock
Xote
Blues
Bolero
Tango
Valsa
Samba canção
Frevo
Miudinho
Fado
Funk Funk Funk Funk Funk
Enquanto formos um só
Enquanto houver tesão
 

 

 
Nós, os loucos
Esconder é o verbo
A orientação é minha

- ontem incerta harmonia
e hoje concreta agonia
 

O verbo continua sendo esconder
Nossa é a recomendação

- não dêm trelas à sensatez
se algo lhes escapa, Era uma vez...
 

Escondam-se
Agora é pra valer
- não busquem sentido no real
lacaneanamente seria inútil fazer isso
 

Afinal, nós, os loucos, somos assim mesmos:
prisoneiros d'angústia
abastecidos de sentido
setnerefidni a son somsem

socialmente soditrevrep
 

Neurose
Psicose

Esquizonefrenia

Razão, pra que te queremos?

Solidão é o nosso bolero, onde tudo é alergia
 

Por favor, escondam-se
- a não ser que sejam também estouvados 

 

 
Poesia
Algum, desavisado, perguntará:
- Tem poesia na fumaça de um cigarro?
Outro, metido a inteirado, responderá:
- Se o cigarro for uma fuga para onde não se sabe. Terá sido como uma lágrima ou uma raiva nas vezes que alguém amou.
E o desavisado:

- Sim, mas onde a poesia da fumaça?
E o inteirado:

- Olha que só fui lá pelas tantas vezes
que fomos felizes, juntos. Agora, não tem mais

sentido. Dispenso o cinzeiro e o lenço. 
 

 
Roleta-russa
Sim!
Quem não sentiria medo?

A comida indigesta nunca esteve tão farta

Quem se atreve a meter as mãos pelas pernas;

da mulata, da loira, da morena, da gorda, da magra...  

Qual delas trará no vão das cordilheiras infernais a
Russa-roleta da morte?
 

 

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