Poesias
A Antologia com os Novos Poetas Amazonenses está gratificada por estar alcançando o seu objetivo. Prova disso é que estamos estampando hoje um conjunto de cinco poemas até então inéditos, que têm como autor Omar Gusmão, amazonense de Manaus.   
 
Antes mesmo de se tornar jornalista, profissão que exerce atualmente, Omar já era envolvido com o assunto sobre o qual escreve para o jornal em que trabalha: arte. Integrou o grupo teatral Origem e agora nos premia com um pouco da sua própria produção literária.  
 
Mínimo manual prático da língua
Conjuga-se o verbo
Dobra-se o ponto
Para inventar mundos
Absurdos e meditabundos

Como em uma fórmula
Mistura-se a crença
Acredita-se na presença
Hermética e só

Indelével
Indecifrável
Inenarrável nó

 

 
Novo
Paradigma
Pára, dogma
Pára-quedas
Paradoxal

E de novo
Não me venha
Com velhas fôrmas de novo
Velhas fórmulas do inusitado

E que me venha o novo

Paradigma
Como o velho amor
Que de novo arrebata

Cala e mata
Tudo que foi certeza
Nada que foi posto
À mesa é novo

O novo não se deixa
Conhecer

E quando se desvela
O novo ficou velho

Ter ou não ser
Sem real intimidade
Razões existenciais
Fora de mim

Pronto-compreensão de mundo
Tipo insensibilidade
Protótipo do ser

 

 
Conclusão
Findo o ato
Resta o fato
Não Mais
A possibilidade

Saudade bate
Late o vira-latas
Que vontade de rever
O jamais visto
 

 

 
Somente
Também sei ser só
É inerente à minha
Condição
Somente

E se tenho
Tantos amigos
É porque
Somente minto

Que sou egoísta
Fingindo
Ser simpático

Lhes sou amável
Afável
Finjo que lhes ofereço
Minha intimidade

Minha mente mente
Como Maquiavel
meu fim
É ficar só

Só mente minha vontade
Saudade
Paixão

 

 
Infidelidade
Vicente, Vicente
Culo caliente

Você se engana
Quando me toma
Por favas contadas
Me conta às avessas

Contas marcadas
São seus deslizes
De quem duvida

 
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