| Poesias | |
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Ney Flávio
Meireles é carioca e está radicado em
Manaus há quase dois anos, onde trabalha como jornalista
editando o caderno de cultura do jornal A Crítica. Antes
de aqui chegar, passou por vários jornais e revistas no
sul do país. Os poemas que escolheu para integrarem esta antologia, têm como substância o amor. Uns foram escritos na adolescência. Outros, recentemente. |
| Meu amigo meu | |
| Meu amigo
meu, do teu "eu" perdido. Tens como teu amigo, o meu "eu" antigo, amigo e inimigo do nosso desejo contido e escondido no nosso "eu". Meu amigo meu contigo eu brigo, contigo eu te obrigo a ser comigo e contigo um só, somente abrigo dos nosso "eus" perdidos. |
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| Ave ferida | |
| Eu deito meu
corpo nas asas do asfalto, defloro minh'alma mas, nunca me assalto. Meu ser tão complexo Sofro do mal dos malditos,
Só calo quando concordo, |
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| Cortante | |
| Meu dia-a-dia
é cortante como o fio da navalha do teu olhar. Cobra-coral que me enlaça e devassa-me a carne de forma brutal. Viajo na inconstância do sabor do teu corpo, ardor dos meus ais. |
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| Incomunicabilidade | |
| Construo
catedrais em pleno deserto acreditando em oásis, que levarão meus olhos. Tuaregues cercam meus devaneios, como no filme "O céu que nos protege", de Bernardo Bertolucci. E assim, sigo meus dias, na certeza da minha incomunicabilidade com este mundo. Mundo vasto, não de Raimundos, mas de rostos como o seu. |
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| Engano | |
| Minha
emoção desvalida inverte o meu dia, edifica noites no sertão. Minha paixão desmedida, me desconhece, repele teu corpo, mente e me me engana, trai meus sentidos e me joga em teus braços, sem que eu perceba. Minha visão distorcida enxerga o ontem como o amanhã e reprisa tudo de novo. |
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