Poesias
Marcelo Seráfico é mais uma grata revelação deste espaço. Amazonense de Manaus, e modesto, diz que tenta ser poeta na medida em que não consegue fazer sociologia (área em que tem formação), e que tenta ser sociólogo igualmente por não conseguir fazer poesia. Confira você mesmo os seus textos e tire as suas conclusões.
 
Desencontro
O que há pouco parecia tanto
É nada
Olhos incrédulos
Riso nervoso
O que era alegria
Agora é pranto
Por que?
O tempo, o dia, a noite
Não sei
Foi tudo à véspera de um
                                desencontro
 

 
Acabou
A boca que beijava,
                            baba
O olho que cintilava,
                            apaga
O peito que batia,
                         dorme
A vida que corria,
                        morre
O homem que sorria,
                              Chora
O mundo que existia,
                             acaba
O que resta....nada
 

 
O tempo das vogais
Povo
Negro, branco, amarelo, vermelho
África, Europa, América, Oceania
Cores, lugares, países
Histórias
 
Gente
Dor, sofrimento, tristeza
Luta, esperança, sonhos
Gozo, prazer, alegria
 
Humanidade
Ilha: Cuba
Região: Amazônica
Utopia em curso: cubanos
Noutro tempo e lugar: cabanos
 

 
Sertão
Terra árida...
Gente...
Desolação...
 
Quem és tu, Sertão?
A aridez do solo?
 
Não!
 
Quem és, Sertão?
 
Sou a imagem daqueles
Que de tão sós
Me tornaram sinônimo de solidão
 
E o que os faz ser Sertão?
O seco...seco penar
A força do sonho
A esperança de vida...
 
Mas o que és, então?
Já disse
Não sou o ser
Apenas a sua expressão
 
Mas se não és, quem são?
Sertanejos
Eles me fazem sertão 
 

 
Tempestade
Mudam as cores
Turquesa, cinza, chumbo
Seguem-se os ventos
Leves, acariciam as tímidas folhas
Fortes, ocultam galhos, derrubam troncos
Ecoam nervosos lamentos
Trovões
Prenúncio de luz invadirá a escuridão
Enfim, chegas, desabas
Tempestade de sentidos
A tudo transformas com as tuas águas
   
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