Poesias
Leonardo Garcia é amazonense, natural de Manaus, onde vive com a família. Chegado à literatura, escreve faz pouco tempo. Seus textos falam de amor, do sonho e das fantasias de um jovem que começa a descobrir um pouco mais da vida.

Trata-se de mais uma revelação da nossa Primeira Antologia com os Novos Poetas Amazonenses, que já atingiu metade do percurso a ser percorrido e, aos poucos, vai atingindo o seu objetivo.

 
Não estenderei a mão ao inimigo.
Não tomarei um punhal para atingir aquele que me fere
Apenas lançarei uma flecha de amor no peito
Mas eis que o orgulho te cerca não deixa ela penetrar

Travada a batalha do ódio e do perdão
Do inesperado o inimigo puxa uma espada
Então puxo uma rosa, eis a minha arma
O inimigo canta a vitória em meio a risadas

Após um suspiro jogo a rosa de encontro ao inimigo
E com a espada este faz a rosa ficar dilacerada
Dos olhos as lágrimas são derramadas
E das pétalas o perfume glorioso se espalha pelo ar

Sem muita paciência o inimigo parte com ódio e a lâmina
E eu nesse momento permaneço imóvel e com a paz
Desesperado o inimigo chora e implora para que eu lute
Fala que sou covarde e que não sirvo para morrer

Subitamente vem à cabeça: será que valeria a pena reagir?
Fui chamado de covarde, e daí?
Parto para um abraço
E o inimigo com receio encrava a espada na carne

Perfurando, penetrando, matando-me
Sinto a espada gelada e num abraço
sussurro ao ouvido: gafanhotos na plantação, elimine
os gafanhotos
Tudo escurece

 

 
Fantasma da noite
Noite fria que congela por dentro
Fantasma da noite que me enloquece
Seguindo os meus passos e me lembrando de tudo
Lembrando de tudo que tenho que esquecer

Mais que solidão, que dor na alma
Uma ferida que não sara
Apenas aumenta, aumenta e aumenta
Saia daqui fantasma da noite

No pensamento corre um sentimento de revolta
Quero me livrar de tudo
Fico preso no meu quarto, privado do mundo
Com o meu sofrimento e suas faces

Que face perversa você tem
É a face dos homens que querem esquecer
Uma face normal, porém distante
Coisa profunda que não fere a carne e sim a alma

Batendo notas tristes aí está você agindo
Espremendo como o suco os meus sentimentos
Controlando a minha emoção
Fantasma da noite tu és a minha pior inspiração

 

 
Um sonho
Hoje necessito de um sonho
Sonho do qual eu possa ver o sol
Sol que ilumina o coração daqueles que têm necessidade
Necessidade de amar e de ver o mundo sem óculos

Sai da boca o mau hálito do ódio dos mortais
Viver se torna tão complicado quando se odeia
Não quero dinheiro, quero paz
Sem ter sua face inútil que me rodeia

Falo daquilo de que estou farto
Farto do apelo nos olhos daqueles que sofrem
Sofrem nos sapatos dos inúteis
Inúteis pesadelos transformados em carne e sangue

Não serei tolo a dizer que você existe
Porque o seu egoísmo é maior que a alma
Quanta pena tenho de ti sentimento andante
Gostas de terror que corroem meus olhos

Hoje necessito de um sonho
Sonho que seja verdadeiro tanto ao sol quanto à lua
Lua que não trará violência
Violência que não vai existir quando eu acordar
 

 

 
Eu aqui esperando o telefone tocar
O mundo lá fora, até parece girar
E eu tentando esquecer tudo que passou

Todo o vazio em seu coração
Seu quarto é o refúgio de toda a solidão
Sua alma armazena um saber
E todas as coisas acontecem sem perceber

Todas as palavras ditas e agora esquecidas num papel
Todos sentimentos soam como gaivotas no céu
E aqueles que vivem no colorido da escuridão
Na verdade lhes escapa a hipocrisia pelas mãos

Ao ver o dia amanhecer sinto escurecer dentro de mim
A minha frente o espelho que traz esta imagem ruim
E ao meu redor apenas o sonho
Que é brutamente me tirado ao despertar

 

 
Soneto de um amor impossível
No começo era como se tudo fosse um sonho
Mas acordei antes de saber que te amo
Agora vejo tua face ao meu redor
E a cada pessoa que eu olho sofro cada vez mais

Ironia do destino, meu coração ao precipício
Ao te olhar e ver nem olhas para mim
É como se perdesse uma parte do meu ser
Que está nos meus sonhos, só nos meus sonhos

Sonhos estes que viraram pesadelos que me perseguem
Me acorrentando passo a passo a uma só pessoa
Que me atormenta todas a vezes

Sou apenas uma simples pessoa a procurar o amor
Este que parece ser uma busca impossível
Porque eu sou um humilde homem e tu és uma gloriosa [estrela]

 
Voltar