| Poesias | |
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Júnior Lima
é um artista, antes de mais nada. Toca bem violão,
canta igualmente bem as músicas dos outros e também as
suas. Face essa já conhecida dos frequentadores dos bons
bares da cidade. O que pouca gente talvez saiba é que Júnior também escreve poemas. Confira abaixo alguns dos cinco que ele escolheu para participar desse projeto que, até aqui, já foi além do objetivo inicialmente traçado. |
| Lágrimas | |
| Lágrimas
e cachoeiras Não repetem suas águas E eu, cá na ribeira, Debulhei a flor: Mal-me-quer...te quer! Voou do ninho meu amor Lágrimas e cachoeira Não existe o seu final Me deságua em qualquer rio Desse litoral Me traz de volta a flor: Bem-me-quer...te querer! Recicla a vida em tuas mãos Pra ela correr |
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| O fantasma da casa | |
| Eu arrasto
correntes No teu silêncio E movo as xícaras de manhã As almas do meu bruto Soam metais no meu bolso E o cheiro do amor Ainda habita meu corpo Eu quero sair! Mas como? O jeito é ir além do espelho Um velho blues me alcança Na tarde velha De Rosa Quente! E aquela cida planejada Escorre na espuma Sem dor Todas a mãos são nada Sob o toque terno Da nossa canção O meu coração Já não ouve mais A balada louca Da tua voz Na tarde vermelha Da Rosa Quente! |
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| Signos | |
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Um signo:
uma mulher desnuda
A flor:
símbolo da
pureza
do amor que ainda me falta conquistar
Agosto:
um riso transparente
No olhar:
o negro na retina
A página:
que ainda me falta decifar
Todo poeta em mim
Quer se revelar
em todo calma
Na aura do pensador
Em todo a luz
Que se expõe ao sol
Renascer
O mágico:
o mestre da ilusão
O pássaro:
nos sonhos pelo ar
Um círculo:
onde somente eu possa ficar
O cômico:
pra não te ver chorar
O mórbido:
sem medo de seguir
Cantar:
algo de novo pra te encantar
Carrego na manga da alma
sempre um ás a mais
e o Homem "mult" do mundo
que me deu o dom pra te iluminar
e te envolver de cor e som
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| Elisângela | |
| Te afago no
olhar Minha tentação Os riosos na sala Teu cheiro no ar Toquei tantos bares Traguei tanta espuma Na cor do teu riso Gravei minha paz Bastou me dar um sinal Sinal de breve instante Travei mil canções Assobiando aquele velho blues Boleros ao vento Dos nossos suspiros nus Vem sobrevoar O meu coração azul Caminhos das pedras No beijo do mar Contar nossa história Num tom ficção Rolar nosso filme Só pra ver rolar Na imagem do som |
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| Procura | |
| Será que o
meu amor saiu pra algum luar nos braços de um bordel, pelas ilhas do céu? Será que o meu amor esqueceu de lembrar que só eu navego o seu amar? Será que o meu amor se despiu de ilusões no leito de algum menestrel da estrada? Será que o meu amor não tarda, novelo tão veloso encantada? Eu sei que o meu amor Vitrine premiada É alvo de quebranto E por mim rezada Só sei que o meu amor Quando muito amada Repousa no meu peito Nua e aconchegada |
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