Poesias
Edson Luiz Rodrigues, "o poeta", é natural do Ceará-mirim, no Estado do Rio Grande do Norte. Radicado em Manaus desde 1985, faz poemas desde de 1986.

Conhecido nos corredores do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade do Amazonas, pelo seu tipo extrovertido e diferente, "o poeta" já participou de algumas exposições coletivas no próprio ICHL. É formado em Ciências Sociais.

 
Sentidos
Qual dos 5.000 (cinco mil)
sentidos

podem ser dados

a essa troca
a essa entrega louca
ao teu nome
que trago na boca

num silêncio
profundo sem fim?
   
Mais e velhos blues
Eu canto a cidade
Essa tosca estrutura

De ferro e concreto
Ossos, nervos e carnes
 

Eu canto a cidade
Que me diz tudo
Como num grito

E nada me diz
 

Eu canto a cidade
Que cala e range os dentes
Como em êxtase de dor

Eu canto a cidade
Que me alucina

Como as lembranças amargas

Que ainda trago de ti

Eu canto a cidade
Com suas formas, suas luzes e cores

Suas vitrines
De homens que não são notados
Que se perdem na confusão
 

Eu canto a cidade
Com seus cursos d'água
E sorrisos soterrados
Que vagam pela escuridão

   
Aluminar
O fogo limpou tua clareira
É hora de plantar
Banho novo de vida e morte
Pra te alumiar  

Luminosidade da terrra
Vens e emanas de dentro de ti
Outra voz
Que dirá

Que dirá
 

Recomeçar a nossa trilha
Recomeçar

Ferro, fogo e chamas

Chamas outra vez

E virás...
 

É o ciclo de tudo
Que torna a voltar
É o tempo é a vida

Pra te alumiar
 

Na clareira, na terra
Queimada, revolta, cinzenta
Não verás outros dias  

Vida, vento e pasto
Segues cansado

Acompanhando um gesto
Inutilizado
 

De vagar por centenas de estrelas
Reluzentes, cadentes

Em vez de planetas

Que olham e riam de ti

   
Garras
As tuas garras são navalhas
Afiadas, aciduladas

Cravadas nas artérias

De temor e de medo
 

Os teus olhos são espelhos
Abstratos, inexatos
Sublime reflexo de luzes

Na paisagem da cidade  

O teu ventrre - a entrevê-lo
São dunas do mar, movimento
Grãos de areia em desmantelo  

Os teus cabelos são ondas
De inesperados vagar

Amparados pelo vento

O teu andar, um segredo
Um caminhar sobre águas

Um equilíbrio de elementos
 

A tua boca, fresca
Quente, doce, fria
Desperta infinitos desejos

Debre de melancolia

   
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