Poesias
Efraim Amazonas é amazonense, nascido em 1967.

Formado em Filosofia, estreou na literatura em 1993 com o seu livro "Algum Verso".

Com algumas publicações, inclui várias antologias. É também compositor.

 
Gêmeos
Lá fora o vento bate
               E traz para dentro
                                         como relíquia
                 os irmãos que não se separaram
                                                 na noite

no quintal
          daquele dia de pedra
                                   onde os pedaços da vida
                                     imitaram as rodas
voadoras
                             qual pássaros abertos
                                        trazendo no
bico

a flor do metal

Contornou a paisagem
                                o monte de folhas soltas
                                        o risco das
formigas de fogo

        e fugiu
                       dos pequenos anos
                             dos abraços trocados
                              no ouro das tardes
                                        que viam as
formas nítidas





      dos grãos
                                         rolando
                                          rolando
                            para a volta dos dois


(Estação dos Espelhos)
 

 
O lugar
As traças consomem-se
no armário do quarto
a sala aberta
e visitada pelos fantasmas diurnos
que os mortos espiam.

Todos os parentes
se vão
Inquietos.
Só resta a mobília rija
as gualdras imóveis
nas gavetas. O olor
no fundo dos livros.

Os jornais permanecem
intactos
com suas folhas amarelas
e as notícias nunca sentidas.
Agora
todas vães.




Os passos se encaminham
para os fundos
onde o quintal
estende seu campo neutro
e as árvores exibem
Abóbadas cansadas.

Os muros esculpidos
por entes selvagens
titubeiam
Sua força escassa.

A voz
salta nos âmbitos
inunda-se das mortes
sujas nas paredes.
Agarça implume
voa a desgraça estreita
repartida nos cantos.

De quem é a certeza
desses frutos
que frios adormecem na calçada?

Movem-se as prensas imaginárias.
Outra vez a ferrugem
espanta-se nas fendas.

Os anos dos anos
decaem
             impossíveis.

(Estação dos Espelhos)
 

 
Construção
O metro em decúbito,
Nivelar no edifício.
Onde a máquina flamívola
Construtora na construção?

Andaimes em peripécia,
Catalogados no algodão,
Brotam números no cimo,
Destoantes na aclimação.

Sobe a planta industrial,
Rega-se a flor no ofício.
Rebocos e larguras
No dreno da alvenaria




(Algum Verso)
 

 
Pássaro entalhado
                                    A Dedé Marques


Nasceu no Oriente,
Espantado.

Imóvel no móvel servil.
Os pés e o bico astutos,
O alçar de asas imaginário
Que se antevê
No perpétuo sono
Do madeiramento arguto,

Nessa árvore amputada,
Onde o lápis se escreve
E o pássaro de si
Cada vez mais se despede
Na invisível gaiola estruturada.



(Algum Verso)
 

 
Depois da chuva
Levantar-se-á o muro,
A fachada
Do casario da esquina,
O endereço
No nome da rua.

Não o morto. Seu tempo
Dorme.
Já habitou o
Mesmo tempo
E as lajes do primeiro quarteirão.

Agora, é morto.
Não usa a correspondência.
Só assiste

À reconstrução do vilarejo
No seu quarto (vivo?)
Na terra.
(Algum Verso)
 
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