Poesias
Dulce Gusmão é amazonense, de Manaus. Tem o jornalismo como profissão, mas não a exerce na chamada grande imprensa. Na área de comunicação social, ela é do tipo que prefere atividades alternativas, atitude típica de quem sabe o que quer.

Antenada com as coisas relativas à literatura, agora nos oferece a oportunidade conhecê-la um pouco mais por meio de seus poemas, recheados de poesias da mais alta qualidade.

 
Tenho vontade de me re-colher
na insignificância do meu ser,
insigne,
insone,
ígneo,
neo transcendente,
neanderthal
tão somente,
tao
qual
    semente
        beirando
             o
nascer
Tenho vontade
simpes-
         crescente:
             veio saber.
 

 
"A vida rui? A vida rola mas não cai. A vida é boa?
Ädélia Prado

p. Adélia

Imagino mil viagens, viajantes de mim que sou
Imagino o dia em que visitei Adélia e
recebi dela lindos sorrisos de flor
Imagino céu azul campo verde canto de passarinho e
aquela árvore onde Buda baobá
Imagino simplesmente:
estou aqui mas sou de lá

Viajante de mim que sou,
em dia de céu carmim,
toquei o sino na cidade,
acordei fiéis e infiéis,
e segui, feliz, in defesa

Publiquei a gota d'água e deixei que a gota,
a que faltava, a perdida no oceano,
molhasse em mim o torpor
Viajante de mim,
senti até não mais poder,
até o por-se
do sol

Em outro dia,
sem tinos, sem arrebol
Entre teclas desconexas, injustiças perenes,
caminhos transversos, maus-tratos galantes...
mas continuo em estrada como os
demais viajantes

 

 
p. Hilda Hilst

Meu coração, em pausa, diz:
correr ao mar,
ao vento,
arrebatar-se
               Areia da praia
               Pedra da motanha
               Cristal do olhar
 

 

 
Relationship
(ou a ver navios)

     O navio da relação
partiu em outra direção

     Prisma: - pasmem -
Meu coração em pedaços
em arco-iris meus passos

 

 
Mesclando-te ao meu melado,
       com todo o cuidado,
desafio a grave idade, calado.
     Cá ao lado,
um passarinho cantando
o fio do fado pulsando:
        Alado
 
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