| Poesias | |
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Celdo Braga
é amazonense (benjaminense de coração), nascido em
setembro de 1952. Professor, músico e poeta, já
publicou quatro livros de poemas. Entre eles, Mito x
Realidade e Cordel Verde e Água e Farinha. Outros o fez
em parceria com Eliberto Barroncas. Radicado em Manaus há mais de 15 anos, desde dos tempos de Benjamin Constant já era ligado à literatura e à música. Aliás, tem formação em Letras e lidera o grupo de música regional Raízes Caboclas. É mais um autor da nova geração amazonense. |
| Enchente | |
| As águas
chegaram mais cedo e o grande rio esparramado pelas várzeas afoga as plantações O tapiri se torna
uma ilha |
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| Canoa | |
| Tronco
escavado a ferro e fogo que ganha nas águas o prumo da quilha o destino da proa Um toque de arte um ciclo de vida uma nave cabocla - CANOA |
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| Lendaridade | |
| A flor da
vitória-régia é branca ao amanhecer cor-de-rosa pela tarde lilás, ao anoitecer Mas quando tudo serena a flor se torna morena repete o rito da lenda mergulha para morrer |
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| Identidade | |
| Toda vez que
ouço o rio deslizando lentamente em busca do mar Ouço o eco da saudade dos meus pais dos meus avós ressoando em mim... Minha parte nordestina Mas ao entrar na canoa
Minha parte índia Daí olhando pro rio
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| Amazonas | |
| O rio banha
de luz murmureja e vai seguindo de porto em porto esculpindo as margens do seu destino Destino de ser
caminho Canaranas matupás Nas vazantes borda praia
E no ciclo das areais
Quantas vezes esse rio
Em silêncio e solitário
Guarda os segredos dos
lagos Ao desfolhar a paisagem
O rio acende memórias
Carrega todos os sonhos
Sempre que um gesto
impensado O sol míngua no poente
No amanhecer inda brilha
rio de saber, santuário
luz de versos que caminham
Com jeito de cobra-grande
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