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| Orlando Sampaio Silva Professor Titular da UFPA. Doutor em Ciências Sociais(Antropologia). ossilv@attglobal.net | |
06/06/2010 09:32 | |
| Em 1821, José Bonifácio de Andrada e Silva, o futuro Patriarca da Independência, queria que ela se chamasse BRASÍLIA. A capital do país que ele propagou dever ser erigida no interior do território nacional.
Antes dele, já o primeiro-ministro português Marquês de Pombal, no Século XVIII, proclamou a necessidade de a sede da colônia localizar-se longe da costa oceânica, interiorizando-se.
D. Bosco, também referido como São João Bosco, que viveu na segunda metade do Século XIX, sonhou com um lugar situado entre os paralelos 15 e 20 para o qual a capital do Brasil mudar-se-ia. Dom Bosco foi o fundador da Ordem Religiosa dos Padres Salesianos e, dedicado à educação infanto-juvenil, fundou um sistema educativo que se intitula “Oratório Festivo”. Brasília veio a ser erigida de conformidade com a localização onírica de D. Bosco. A primeira Constituição republicana, a de 1891, determinava, no Art. 3°, que a capital da república deveria ser transferida para o Planalto Central Brasileiro. Em 07 de setembro de 1922, foi implantada a pedra fundamental de Brasília em Planaltina, que fica próxima ao local da futura capital do país. A Constituição dos Estados Unidos do Brasil, promulgada a 18 de setembro de 1946, estabeleceu, no Art. 4°, que a capital do país “será transferida para o Planalto Central”. Lá deveria instalar-se a Capital federal, o Distrito Federal. À época a capital do Brasil, o D.F., era a cidade do Rio de Janeiro. No dia 31 de janeiro de 1956, o político mineiro Juscelino Kubitschek, ex-Prefeito de Belo Horizonte e ex-governador de Minas Gerais, tomou posse na Presidência da República. Durante a campanha presidencial, em um comício no interior de Goiás, uma pessoa do público dirigiu-se a Juscelino e lhe perguntou se ele faria a transferência da capital do país para o Planalto Central, de vez que esta mudança estava prevista na Constituição da República. Kubitschek, proclamando-se um rigoroso cumpridor dos dispositivos constitucionais, prometeu, naquele momento, que construiria Brasília e faria a transferência no curso de seu governo. Presidente da República, de imediato Juscelino Kubitschek passou a empenhar-se na tarefa da instituição da nova capital. Formou a NOVACAP-Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil com a finalidade de coordenar as obras de construção de Brasília, sob a direção do político mineiro Israel Pinheiro. Com a Lei n° 2.874, aprovada pelo Congresso Nacional, em 30 de setembro de 1956, do tornado público o Edital do Concurso do Plano Piloto de Brasília. Foram apresentadas quarenta e uma propostas, tendo sido vencedor do concurso o projeto do urbanista Lúcio Costa. Lúcio Costa idealizou a concepção de uma cidade inteiramente original, cujas linhas fundamentais e fundantes se constituíam em dois eixos que se cruzam como o corpo e a asa de uma aeronave ou na forma dos dois lenhos de uma cruz. As obras do Plano Piloto tiveram início ainda em 1956. A primeira obra, com projeto de Oscar Niemeier, foi o Catetinho, uma construção de madeira erigida no meio de uma mata ciliar a um riacho, na área do Plano Piloto, e onde o Presidente da República, em suas constantes visitas às obras da capital, tinha seu gabinete de despachos, sala de reuniões e quarto para pernoites. Uma construção de madeira, rústica, mas que simbolizava a determinação de JK em construir Brasília. Catetinho em alusão ao Palácio do Catete, sede do governo ainda no DF, no Rio de Janeiro. O já famoso arquiteto Oscar Niemeier, que fora autor do projeto da Represa da Pampulha, em Belo Horizonte, na administração Kubitschek, projetou as obras simbólicas e fundamentais da nova capital: Na Praça dos Três Poderes, o Palácio do Planalto, o Palácio da Justiça-Supremo Tribunal federal-STF, os prédios da Câmara e do Senado Federais; em meio ao cerrado, à margem do Lago Paranoá, o Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente da República; na explanada dos Ministérios, os prédios em que estes se alojaram, a Catedral de Brasília e o Teatro Nacional. No cruzamento dos dois Eixos, a Estação Rodoviária Urbana e, na seqüência do grande Eixo, a Torre da Televisão e, no final do Eixo, a Estação Rodo-Ferroviária. E outras construções importantes, como a Hermida de D. Bosco. Anos depois, foi erigido, ao longo deste mesmo eixo institucional principal, o Memorial JK, em homenagem ao Presidente que construiu Brasília. Juscelino Kubitschek se empenhou de corpo e alma na construção da nova capital, dando tudo de si, de sua competência administrativa e conduzido por seu idealismo até a conclusão deste projeto epopeico No dia 21 de Abril de 1960, a nova capital, Brasília foi inaugurada. Juscelino Kubitschek, que tinha a sede do governo da República no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, ainda governou o país na nova capital. E morou com sua família no Palácio da Alvorada até o final de seu governo, quando deu posse ao novo Presidente eleito, Jânio Quadros, no dia 31 de janeiro de 1961. Antônio Carlos Jobim, Tom Jobim, compôs a Sinfonia de Brasília, que foi tocada com grande pompa nos rituais solenas da inauguração. Na área educacional, foram construídas em Brasília as Escolas Parques, que funcionaram segundo o o governo JK deu início à construção do campus da Universidade de Brasília, cujo primeiro Reitor veio a ser o antropólogo Darcy Ribeiro. A UB foi criada pela Lei n° 3.998, de 15 de dezembro de 1961. | |
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