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06/10/2009 17:36 - POLICARPO QUARESMA |
| Como apaixonado pelo Rio de Janeiro agora cidade olímpica, senti um orgulho e uma esperança, no dia em que essa cidade foi declarada vencedora. Mas, tenho motivos para fazer minhas críticas, e favor não confundir crítica com negativismo. Olhando daqui de Ipanema parece que o cotidiano do país reduz-se a esperar por sete anos, é festa todo dia. Os casos de corrupção do país parecem fazer parte do desenrolar da vida, o delírio é quem manda. Evidente que estou satisfeito por ter a Cidade Maravilhosa, como sede das olimpíadas de 2016, mas, sem ufanismo piegas. Nosso Presidente, até no sábado passado, precisava se beliscar para ter certeza que não era um sonho. Há tenta euforia, tanta visão de otimismo que me assusta. O título deste artigo vem a calhar com o dom policarpesco de Lula. O major Policarpo Quaresma, figura central do livro de Lima Barreto, residia em São Januário, aqui no Rio, era um sonhador. Um visionário que amava o seu país e desejava vê-lo tão grandioso quanto, acreditava podia ser, nacionalista incurável, com o desejo de transformar e reorganizar o país, partia de uma análise da realidade, mas não levava em conta os mecanismos geradores desta realidade. Tal como Lula, distinguia-se num ponto. Quaresma era ingênuo. Lula ao contrário nada tem de ingenuidade, sabe ser ao mesmo tempo o “sapo barbudo” como sabe ser o “lulinha paz e amor”, com seu jeito franciscano tosco, mas convencendo de Obama ao Comitê Olímpico Internacional. Serão gastos mais de vinte e cinco bilhões, para que o Rio seja sede dos jogos mundiais. Cá entre nós, com essa dinheirama toda daria para deixar o Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus, como cidades modelos mundiais. Para citar exemplo, no item transporte as obras vão atender principalmente a Barra da Tijuca, bairro no qual mora o Prefeito do Rio, e lugar onde os moradores dependem principalmente de carros para se locomover. Mas, se comparados à proposta do Plano Diretor da Prefeitura, os investimentos cumprem metade das necessidades da cidade, deixando de lado o restante da zona oeste, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas (de um total de 6 milhões). Bairros como Campo Grande e Santa Cruz nem sequer aparecem no mapa de transportes do caderno da Rio-2016. Para além da miséria que vitima grande parte da população. Melhor que o ufanismo oportunista seria o incentivo real à prática esportiva, desprezada e cobrada pelo cinismo do povo brasileiro acerca de si mesmo. Fôssemos amantes do esporte como fingimos ser, cobraríamos mais talentos nos esportes olímpicos. Mas nossos Policarpos Quaresmas, vestidos com gravata nas cores da bandeira nacional, não estão preocupados com isso, querem sim fomentar o povo com festas e comemorações, sem contar com aqueles que estão de olho no orçamento das Olimpíadas. Dizem por aqui que além das Olimpíadas e paraolimpíadas, o Rio vai sediar as Olim-piadas cariocas, com provas de: Arrastão em praia, Incêndio de Ônibus, Cozimento de gringo em micro-ondas de pneus, Transporte de defunto em carrinho-de-mão, Superfaturamento de obra e outras provas características de nossa cultura. |