| Observador Participante | |
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| José Seráfico Advogado, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Articulista dos jornais A CRÍTICA no Amazonas e O LIBERAL no Pará. serafico@internext.com.br | |
28/07/2010 14:10 | |
| O agradável campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte constitui-se, desde a noite do último domingo, em passarela por onde desfilam estudantes, professores, autoridades e importantes pesquisadores do País. Nas instalações daquela instituição palestras, mesas-redondas, simpósios, mini-cursos, encontros e exposições são freqüentadas por cerca de dez mil participantes da 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso as Ciência, a cada dia mais importante SBPC.
Como sempre, o acontecimento dá bem o retrato da comunidade acadêmica do País. Aos jovens trajando roupas que trazem de volta os tempos hippies, juntam-se sisudos professores, com seus blazers surrados; as professoras portando vistosas écharpes jogadas com cuidadosa manobra sobre os ombros, esbarram com rapazes vestindo bermudas e calçando sandálias que um dia chamamos japonesas. A paisagem costumeira do campus é alterada com a instalação de enormes pavilhões inflados, não faltando sequer o circo de colorido espalhafatoso. Se, naquele picadeiro, reproduz-se o espetáculo de tantos séculos, no espaço destinado a outro tipo de espetáculo sucede-se a apresentação de cantores, repentistas e outros representantes da arte popular. Na primeira noite, ninguém menos que Zeca Baleiro entreteve a platéia. Nas salas de aula, nos auditórios e anfiteatros, são postos em discussão temas da maior relevância para o avanço da ciência brasileira. Alguns nem tanto, como convém a um encontro caracterizado sobretudo pela multiplicidade de atores e de associações científicas, reivindicando todos o debate transparente e sincero do que lhes interessa – tanto quanto à sociedade brasileira. A palestra inaugural, proferida pelo ministro da Ciência e Tecnologia, o físico Sérgio Rezende, forneceu dados que explicam muito da tolerância que a comunidade acadêmica dispensa ao atual governo. Estão contidos naquelas informações números a um só tempo gratificantes e animadores. A gratificação vem da convicção dos cientistas de que tem valido a pena o sacrifício a que estão submetidos, nas salas de aula, nas bibliotecas, nos laboratórios e gabinetes. Por causa disso, já não é mais humilhante a posição do Brasil na produção de trabalhos que dão conta de seu labor universitário. Anima a comunidade científica do País o fato de jamais terem sido aplicados tantos recursos públicos quanto os que têm sido destinados à pesquisa científica e tecnológica, nos últimos oito anos. É claro que ainda há muito o que fazer. Nem todas as reivindicações dos membros da comunidade acadêmica foram atendidas de forma satisfatória, especialmente as que dizem respeito à remuneração dos profissionais e à adequação das bibliotecas e laboratórios de todas as instituições do ensino superior oficial. Também a velocidade com que os recursos alocados à educação superior chega às instituições é motivo de reclamação. Pode-se dizer, no entanto, jamais ter sido tão animador o ambiente acadêmico, pelo menos no que concerne à multiplicação de fontes de financiamento dos projetos de seu interesse. Não basta dizer das vantagens de terem sido criados os fundos setoriais, geridos pela Empresa Financiadora de Estudos e Projetos- FINEP, nem da oportunidade e da sabedoria da criação das fundações de amparo à pesquisa, em quase todas as unidades federativas. Se ambos os fatos propiciaram mais recursos para as instituições de ensino superior e criaram mecanismos mais aptos ao atendimento de suas necessidades, a emergência de uma política integrada de ciência e tecnologia talvez seja o resultado mais relevante. Isso não quer dizer que tudo está feito. Ao contrário, significa a necessidade de encarar com maior dose de responsabilidade o compromisso de agir, na busca de solução para muitos dos problemas sociais com que o Brasil ainda se defronta. A excelência alcançada pela Petrobras em seu campo específico de ação pode servir de exemplo, capaz de motivar todas as instituições universitárias oficiais. Estas, respeitadas pelas instâncias governamentais, precisam apenas ver expandidos seus quadros docentes, com remuneração digna da importância de seu papel. Autorizar a ampliação dos quadros docentes e de pesquisadores das instituições universitárias e de pesquisa, respectivamente, será passo fundamental à arrancada em curso. Se na 63ª reunião da SBPC se souber da admissão de milhares de novos professores e pesquisadores, o ânimo de hoje se traduzirá em enorme gratificação. | |
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