Cronificadas
Teoria do lesbianismo
Desde que comecei a escrever as cronificadas desta série Descobrindo a Sexualidade, no tempo em que eu era adolescente lá em Becê, terrinha trigueira, chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim, pela primeira vez parei para refletir como abordaria o assunto de hoje.
 
É isso! Se você quer saber, não costumo parar para pensar no que estou escrevendo. Nada escreveria hoje. Mas aí lembrei da cobrança que me fez o Gugu na semana passada. Então resolvi que falaria sobre uma outra teoria: a do lesbianismo. Mas tudo baseado no que ouvi sobre o assunto lá na minha Becê.
 
Como tem sido praxe, não farei nenhum esforço para lembrar de nomes e datas. Basta, para os limites desta série de cronificadas, o fato em si. Afinal, é ele que importa e dele não me esqueci. Nem dela que ele teria virado o gosto e desgostado dos homens, principalmente dos homens fuleiros.
 
Acho que por isso chamavam-na de Maria-Homem, a dita sobre a qual pesou o preconceito da gente benjaminense por ter feito uma opção sexual diferente da que normalmente fazem homens e mulheres. Era um tipo baixo, nem muito magra, nem gorda, muito acabocada na expressão, gestos amasculinados... o sapatão da cidade.
 
A minha ingenuidade à época não me permitiu compreender inicialmente o significado da expresão sapatão. Achava eu quese tratava de uma ironia com os pés pequenos de Maria-Homem, tamanho 32. No máximo, 34. Só depois é que  me daria conta da relação. 
 
Nesse sentido, fui ajudado pelo pai de um amigo meu, cujo nome não me recordo mas sei que foi o mesmo que formulou a teoria da boiolice, assunto tratado aqui na semana passada. Ustedes están lembrados? Dizia ele:
 
- O lesbianismo, garotada, se manifesta quando a menina, ao despertar para sexualidade, procura e não acha ou se frustra achando que daí pra frente todos os homens serão a mesma merda, entenderam? - explicava, fazendo gestos obscenos.
 
Em outras palavras, ele reafirmava a mesma linha de raciocínio adotada para justificar a sua teoria da boiolice, argumentando que todas as mulheres trazem em si o germe do lesbianismo, mas que só o desenvolvem quando se sentem frustradas na primeira experiência sexual.
 
Teria ele algum fundo de razão ou dizia isso apenas para justificar a sua postura obscura quanto a preferências sexuais?  Corria na cidade que, apesar de ter casado e constituído família, ele dava a impressão que não resistiria à cantada de um outro homem e que escorregaria no quiabo, se levado à parede.

Teoria da boiolice
Confesso que já tinha desistido de continuar escrevendo as cronificadas desta série Descobrindo a Sexualidade, no tempo em que eu era criança lá em Becê, minha terrinha trigueira, chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim.
 
Mas o caso é que, quando a gente se dispõe criar e atualizar semanalmente uma page na Internet, acaba ficando refém dos internautas que nos acessam. E nem podemos reclamar disso. Afinal, se não fosse por eles não haveria sentido criar e manter a página.
 
Então me encontrou outro dia o Gustavo Rodrigues, o Gugu, reclamando que eu não havia publicado cronificada alguma sábado passado. Admiti que isso tinha ocorrido. Comentando que gostava dos textos (quanto mau gosto), Gugu quase me obrigou a voltar ao tema.
 
Vamos lá, então. A cronificada d'hoje tem a ver com a opção sexual de um amigo meu, cujo nome não me recordo. Do fato, sim. E este acabou virando uma coisa interessante, porque trouxe à tona uma teoria sobre ser ou não ser boiola. Mas isso explico depois.
 
O certo é que o tal do meu amigo, um dia, começou a apresentar um comportamento diferente do nosso, cheio de gestos afrescalhados. Estranho, porque ele nunca dera a impressão de que era ou poderia vir a ser frufru. Mas, enfim, frutificou a sua veadagem.
 
A cidade toda passou a comentar a mudança no comportamento do tal do meu amigo, que passou a andar em companhia de um outro menino estranho ao nosso grupo, mas do qual parecia que ele estava bem íntimo. O garoto não nos pareceu boiola. Pelo contrário, fazia questão de parecer pintudo. Ou seria melhor dizer pintoso?
 
Passado algum tempo, viemos a saber que o meu amigo conhecera o tal garoto meio por acaso. E como este lhe pareceu um tanto quanto inteirado das coisas relativas ao sexo, deixou-se levar, admitindo, inclusive, ser o primeiro a ficar de quatro na troca de ânus proposta pelo outro.
 
O pai de um dos meus amigos - e aqui vou pedir mais um pouco de paciência, porque realmente não me recordo do nome - aproveitou a situação para defender a sua teoria da boiolice, segundo a qual todos nós, homens,  trazemos na nossa carga genética o bichinho da homossexualidade.

- Mas só acabava virando boiola de fato -  arrematou - aquele que, numa troca, aceita primeiro a ficar de quatro.

 
Era o tipo de argumento que àquela altura nos parecia cabal sobre o assunto. Vinha de um sujeito mais velho, vivido. A minha dúvida ainda hoje é se ele a teria formulada com base em experiência pessoal? Eu, hein...

Motel de merda
Ainda hoje a minha pequena Becê, terrinha trigueira, chão de fronteira, pedaço tupiniquim, não dispõe de um motel. Ou disporia? É verdade que estou dizendo isso ( daí a interrogação) sem antes me certificar da realidade atual. Deixo-me levar apenas pela intuição, uma vez que faz dez anos que ali não volto.
 
Sei que a situação no interior do Estado passou a ser de mal a pior, nesse período. Aposto, por tabela, que a terrinha continua atrasada no que diz respeito à infra-estrutura para o amor urgente. As coisas,  neste aspecto, devem continuar acontecendo como na época em que ali vivia e estava Descobrindo a Sexualidade.
 
Àquela altura ouvia dizerem que o negócio era pegar a caboca e levar para um dos motéis calangos da cidade,  qualquer local mais ou menos apropriado para a foda. Nesse mais ou menos, depois vim a saber, estavam incluídos os fundos da igreja e do colégio Imaculada Conceição, a padroeira da cidade.
 
Havia, porém, quem preferisse os fundos do grupo escolar Coronel Raimundo Cunha, as imediações da quadra esportiva Frei Samuel, o campo de futebol Rebecão, enfim...
 
Lembro que para chegar aos fundos do colégio Imaculada Conceição, os amantes tinham que "escalar", antes, uma escada com uns cinquenta degraus. Se o sujeito fosse bom de papo e conseguisse fazer com que a caboca fosse até a metade da escada, estaria com ela praticamente no falo.
 
Vai que, um dia, nem sei qual dos meus amigos mais velhos, portanto mais avançados nas coisas do sexo, inventou de testar no motel calango do colégio. A paquera começou ali por perto, no Clube 21 de Abril. Mais tarde, ele saiu da festa com uma cafuringa e rumaram para o tal motel.

 

A moça parece que estava a fim, mas não pretendia tornar as coisas fáceis. Chegando ao escadão do colégio fez que refugava. O danado do meu amigo, cujo nome realmente não me recordo, insistiu, como insistem os famintos por sexo, e ela cedeu. Um pouquinho. Mais um pouco e os dois tinham escalado todos os degraus.
 
Uma beijoca aqui, outra ali. Uma choramingada, seguida de uma carícia acolá. Promessas, sabe-se lá, meu amigo conseguiu chegar aonde queria com a danada. Em pé, os dois resolveram se entregar de vez ao prazer.
 
Estavam na lateral do colégio, parte que dava para a oficina do seu Darwin, pisando sobre uma dessas calçadas perpendicular à parede. Em pé parecia interessante o vai e vem, mas meu amigo preferiu complementar o ato deitados.
 
Envolvidos como estavam com a transa, os dois só tinham narizes para o cheiro do amor. Mas isso até a garota pôr as costas no chão. Ao deitar sobre ela e procurar o seu cangote para dar uma cafungada - esse gesto idiota que os homens não conseguem evitar -  meu amigo descobriu que ela tinha colocado a cabeça sobre um tolete de merda.
 
- Bem que eu senti uma coisa macia descendo para a minha nuca. Achei que fosse a sua camisa
 
- E eu pensando que estas mordiscadas no meu saco fossem das suas unhas e não de formigas tracuá...

Catuaba com campari
Antes de iniciar a cronificada propriamente dita, queria dizer uma coisita, embora tenha a impressão que isso seja dispensável ante as evidências que ficam nos textos que escrevo nesta minha home-page. Queria dizer que não sou candidato a escritor nem a poeta, muito menos a jornalista com "jota" maiúsculo. Nada disso. Daí porque tenho o hábito de escrever sem a preocupação de revisar os textos que produzo.
 
Portanto, releve os meus erros gramaticais.  Faço esta recomendação não só em relação às cronificadas desta série, mas também aos poemas, contos e matérias. Detalhe: penso que um dia vou tentar defender a idéia de uma literatura de rascunho.  Afinal é isso que acredito estar fazendo.
 
Agora, vamos à cronificada.
 
Pois bem, quando eu era adolescente e estava Descobrindo a Sexualidade lá em Becê, minha terrinha trigueira, chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim, fiquei sabendo com alguns amigos que tomar Catuaba misturada ao Campari era um excelente negócio para envernizar a mangaripola. Isso mesmo! Pode?
 
É claro que à época esse tipo de coisa cabia na minha forma de ir aprendendo com a vida. Àquela altura eu ainda não tinha percebido que, mesmo se nada fizéssemos,  eu e meus amigos, assim como outros da nossa idade, já estaríamos aparecendo simplesmente porque éramos adolescentes.
 
Ademais, quem disse que a gente precisava misturar bebidas para envernizar a mangaripola? Como adolescentes o que a gente mais tinha era tesão. E, depois das aulas que tivemos com o Binrá (ver crônica aqui publicada sobre o assunto), um dos nossos esportes preferidos era a masturbação. Vivíamos jorrando gala pelas paredes das privadas de nossas casas, beira de colchão, quintal, enfim...
 
Aliás, é preciso dizer que envernizar a mangaripola significa o mesmo que mantê-la o maior tempo possível dura, de modo que a lapingochada (ou seria lapingoxada?) seja firme e duradoura a ponto de a caboca não esquecê-la por algum tempo e, o que é melhor, querer repetir a dose sempre. Não é que um dos meus amigos - só não me perguntem o nome - entrou, um dia, nessa de misturar Catuaba com Campari?
 
Foi! Ele tinha se acertado com uma caboca para irem às vias de falo, do seu falo, uma noite. Acho que de sábado. Até porque era sábado que a gente costumava dar umas voltinhas, curtir as nossas paqueras. Para aumentar a coragem e facilitar a aproximação com as meninas, normalmente nos cotizávamos para comprar uma ou outra bebida. Naquela sábado, no entanto, resolvemos beber Catuaba com Campari.
 
Num dado momento, percebemos que o nosso amigo se afastou para encontrar-se com uma garota. Era a dita. Nem bonita nem feia. Traçável. Conversaram um pouco. Ele voltou. Nos fez companhia por alguns minutos, só que tomando talagadas cada vez maiores de uma e outra bebida. Antes de se despedir, agora para encontrar-se definitivamente com a cafuringa, apontou na direção da braguilha. 
 
Foi uma pena que a ação das duas bebidas não tenha se restringido apenas a aumentar o fluxo sanguíneo na mangaripola do nosso amigo. Bem que ele tentou manter-se de pé, mas quando já estava com a calcinha dela no chão e a sua cueca na metade das pernas, foi como que atingido por uma porrada na cabeça...do pau!
 
O efeito da Catuaba e do Campari juntos foi tão violentamente eficaz, que, mesmo tendo ficado bêbado na hora-do-vamos- ver, o filho da mãe conseguiu manter a mangaripola envernizada. Pasmem, curiosamente por dois dias, tempo em que também andou tombando bêbado pela casa. Da ressaca ele só se livraria alguns dias depois.

Pano velho
Houve um tempo em Becê, minha terrinha trigueira, chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim, que não era fácil para as meninas que estavam entrando na puberdade. Por vários motivos. Entre os ruins, no entanto, por conta da TPM e porque absorvente era um produto desconhecido  ali.
 

Digo isso porque à época  fiquei sabendo de um caso tragicômico envolvendo uma irmã de um amigo meu, ou seja, alguém que se descobre menstruando e não sabe o que está ocorrendo nem o que usar para estancar o sangue velho que lhe escorre pelas coxas.

 
É sério! Só não me recordo o nome da moça, mas é certo que o fato se deu e é isso o que importa para os limites desta série de crônicas. O resto...

Bem, a moça era simpática. Fazia o tipo naturalmente estabanada. Geralmente falava o que queria e o que não queria também. Se estivesse discutindo com um dos irmãos na cozinha de sua casa, quem na rua passasse acabava ouvindo os seus resmungos.

 
Mas vai que um dia a tal, cujo nome também não me lembro, como o de seu irmão e meu amigo, percebeu que sangrava pela "caixinha". Não pensou duas vezes. Gritou:
 
- Mamãe, tá saindo sangue da minha coisa?
 
- Que coisa, menina? - Tá ficando doida?
 
- Xereca, coisa, mãe!
 
- Não tem problema. Você tá virando mulher - comentou a mãe sem interromper o que fazia.
 
Sentindo-se desamparada, mas ao mesmo tempo aliviada por saber que não era nada  grave, a irmã do meu amigo dirigiu-se a avó:
 
- Vó, o que eu devo fazer? - mostrando-lhes as partes internas das coxas ensanguentadas.
 
A avó, coitada, que ouvia mal mas tinha uma voz estridente, atendeu-a prontamente:
 
- Põe pano velho, minha filha. Pano velho e não vá para o sereno!
 
A irmã do meu amigo não pensou duas vezes. Mais um pouco e ela apareceu  na sala com uma meia tipo soquete nas mãos.
 
- Isso aqui não é melhor, vó?
 
- Põe, põe pano velho que era o que eu fazia e costumava dar certo.
 
É claro que depois, conversando com algumas amigas mais velhas, a garota ficou sabendo que o produto certo para o problema que enfrentava era o absorvente. Só que esse um artigo que talvez em Letícia tivesse. Quisesse, encomendasse. 

Adubo de cebola para pentelhos
Acho que foi na segunda ou terça-feira, não me recordo ao certo, que ouvi o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, do Programa do Ratinho, transmitido pelo SBT, falar que mostraria o caso de uma criança de apenas seis anos cuja mangaripola já possui cerca de 14 centímetros e não pára de crescer.
 
O assunto despertou a minha atenção, não pelo tamanho da mangaripola da criança, que se não me engano é de Arapiraca, em Alagoas. Mas porque me fez lembrar doe tempo em que eu era adolescente e estava Descobrindo a Sexualidade lá em becê, minha terrinha trigueira, chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim. Tempo em que eu e outros colegas da mesma idade andávamos cheirando a cebola.
 
Isso mesmo! Cebola de cabeça, dessa que a gente usa para condimentar comida, preparar salada, enfim... Nós a usávamos, acreditem, para estimular e desenvolver o quanto antes os pêlos do púbis. Pode? É claro que pode. Afinal éramos adolescentes, fase em que se faz cada coisa que até...
 
Então,também cortei cebola de cabeça ao meio para passá-la na região pubiana, na expectativa de que isso acelerasse o crescimento dos pentelhos. Eu e alguns dos meus amigos, dos quais não me recordo o nome agora, achávamos à época que, agindo assim, logo nos tornaríamos mais homens do que os outros da nossa idade.
 
Mas era preciso ter cuidado. Evitar, por exemplo, passar cebola branca. Do contrário, os pentelhos nasceriam também brancos. A recomendada era aquela cebola roxa. Isto porque além de manter a cor original nos pêlos fazia com que eles nascessem de forma mais abundante. Além de dar maior potência à mangaripola.
 
Mas se vocês querem realmente saber, nunca tivemos ou deixamos de ter mais ou menos pentelhos por conta das cebolas que usamos. Até onde sei eles nasceram normalmente, no tempo que deveriam nascer, em função do trabalho paciente que fizeram os hormônios que têm a ver com essa função.
 
O que não vem ocorrendo com a criança de Arapiraca, porque até onde fiquei sabendo - embora não tenha visto o programa - o crescimento descomunal da sua mangaripola para a idade de que possui deve-se exatamente a uma desfunção hormonal na glândula responsável pelo desenvolvimento do aparelho reprodutor masculino.
 
Ah se eu  soubesse disso à época da minha pré-adolescência, lá em Becê. Não teria, é claro,  passado pelo ridículo de ter andado cheirando a cebola, como se fosse um peruano. Afinal, os nossos vizinhos paisanos é que tinham uma adoração violenta por essa verdura. Se bem que para comê-la crua. Ou será que eles...

Pomada que não engrossa, queima
Quais são as pomadas, os cremes, as técnicas que atualmente ajudam os caras a engrossar um pouco mais as suas mangaripolas e mantê-las firme na hora H? Você conhece alguma? Eu nada sei sobre o assunto. Não me interessa. Estou conformado com o que a natureza me deu. Nunca me assustou  a idéia de brochar.  

O que eu sei é que na época da minha adolescente lá em Becê, terrinha trigueira, chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim, havia uma pomada que diziam ser eficiente não só para dar firmeza à trôla, mas também engrossá-la um pouco mais.  Era isso isso que eu ouvia dizerem...

Ouvia também que não havia caboca que fosse rangada com a tal pomada que não quisesse repetir a dose outras vezes, sempre. Pomada da China. Parece que esse era o nome da bicha. E o bom é que ela podia ser comprada ali em Letícia, na Colômbia, a pouco mais de meia hora de deslizador de BeCê.  

Acho que até recordo da embalagem da dita pomada. Se não me engano era uma latinha achatada, do tamanho de uma moeda de R$ 1, com 1 cm de altura, que trazia na parte externa e superior da tampa uns nomes em chinês e a figura de um dragão. A pomada em si era meio amarelada. Seria isso?  

Não sei. E não é porque esta série de cronificadas  tem como uma das principais características o fato de eu não conseguir me lembrar ao certo de datas e nomes...a não ser do fato, que é isso que importa, não é mesmo?  

Pois bem, e o fato é que um dia, não sei quem dos meus amigos se interessou pela tal pomada, arranjou dinheiro, foi a Letícia e voltou disposto a dar uma baita mangaripolada numa garota da qual estava enamorado.  

Tudo indicava que o tal do meu amigo já tinha estado com a moça antes, mas até ali não havia despertado nela aquilo que se convencionou chamar de amor de mangaripola; aquele onde bate, oba!  

Veio uma noite de um final de semana e os dois, depois de arrastarem os pés no Bregão do João, que funcionava no bairro de Coimbra, saíram. Antes de nos deixar, meu amigo deu uma piscadela como se quisesse nos dizer que aquela seria la noche del almirante.  

Teria sido, mas se ele não tivesse cometido um engano que lhe custou uma baita queimação na mangaripola e outra ainda maior na "caixinha" da namorada, a ponto de tê-la perdido para sempre.  

É que o filho da mãe ao invés de comprar a tal da Pomada da China, acabou comprando uma lata de mentol, espécie de unguento tipo Gelol.  Adolescentes...


Do tempo que sexo fazia mal
Na minha adolescência lá em Becê, terrinha trigueira, meu chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim, cresci ouvindo que o sexo tinha algo de mal. Na verdade, essa expressão estava relacionada principalmente aos casos em que algum rapaz simplesmente deflorava uma garota sem ainda terem casado.  

É. Acho que era isso. 

Não me recordo de as pessoas atribuírem maldade alguma ao sexo praticado pelos casais devidamente constituídos com a bênção da igreja. Pelo contrário, nesses casos o sexo até era encarado como algo bom demais. Falo isso baseado no tamanho médio das famílias benjaminenses. Eram compostas em média por cinco pessoas.  

Em casa mesmo, depois do casamento, meu pai não perdeu tempo e empurrou logo três filhos no bucho da minha mãe. As mangaripoladas eram certeiras. Foi um atrás do outro nos três primeiros anos após o casamento.  Mas se vocês querem saber, talvez a família fosse hoje maior se meu pai não tivesse morrido logo após o nascimento da minha irmã.  

Não sei. Mas ouvi dizer que ele era chegadíssimo à minha mãe. Chegadíssimo, e isso tá muito claro para mim hoje, em fazer sexo com ela. O que reforça a minha idéia inicial de que a maldade do ato sexual, no tempo da minha -adolescente lá em Becê, era fruto de um discurso elaborado com o objetivo de afastar os jovens casais das tentações da carne.  

Certa vez, porém, pude verificar que não podia ser mal o sexo feito entre pessoas que se gostavam, ainda que não fossem casadas. Só não me recordo o nome da moça, muito menos o do rapaz. Sei que ela era um mulherão, mesmo na adolescência. Ele,  mais velho e avoado. Namoravam algum tempo. Parece que a contragosto dos pais. Um dia...  

Bem, um dia eles transaram e a cidade, porque não dormia, tinha ouvidos de peixe-boi e era curiosa de amolecer a moleira de gente adulta, descobriu. Os comentários por onde quer que se ia eram sempre o mesmo: o tal do rapaz do qual não me lembro o nome tinha feito mal a tal da moça da qual também não sei o nome.

Sei, e isso até hoje está muito vivo na minha lembrança, que nada parece que foi tão mal para os dois como a cidade comentava. Passado o "escândalo" do acontecimento, período de quase um mês em que a moça foi impedida de sair de casa, o que se viu  foi o ar de felicidade que ela estampava no rosto  depois dos encontros furtivos com o namorado. Ocasiões, por certo, em que praticavam muita, mas muita maldade.  

 

 
A turma do MP lá de Becê
Quem tem o hábito de acompanhar as notícias de Brasília sabe que, aqui e ali, o Governo Federal emite uma MP, recurso que lhe permite, entre outras coisas, estabelecer soluções de continuidade para ações que precisam ser implementadas urgentemente. Em linguagem por extenso (será que isso existe?), MP significa Medida Provisória.

Na minha adolescência lá em Becê, minha terrinha trigueira, meu chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim, as iniciaias MP tinham outro sentido. Isso mesmo! Lá, se querem saber, essas mesmas iniciais significavam Mostra Pica.

Só não saberia dizer quem eram os integrantes do que nós convencionamos chamar à época a "Turma do MP". Talvez fossem seis ou sete. Quem sabe sessenta ou setenta? Três parece que se tornaram bastante conhecidos na cidade. Um deles era funcionário dos Correios, e os dois outros não tinham atividade fixa. Quer dizer, a não ser a de MP.

Faziam isso onde quer que a situação se lhes afigurasse boa. Fato que, na prática, requeria apenas a presença de uma ou mais garotas. Lógico, porque eles não eram idiotas de mostrar a pica para os homens. Não era esse o objetivo da turma do MP, também nunca me importei em saber se existiam outros.

Sei que eles agiam um tanto quanto discretamente - ou seria melhor dizer discaradamente? - aproveitando-se geralmente das ocasiões em que um grupo de amigos se reunia para conversar, por exemplo, nos bancos da praça Frei Ludovico. E pouco importava se a mulher era solteira, comprometida ou casada. Numa dessas, a vítima fui eu. Isto é, a minha namorada.

Eu acabara de sair de uma pelada (futebol entre amigos) na quadra do Colégio Imaculada Conceição, onde ela foi me encontrar. De lá descemos, com os outros amigos, para a praça, visando bater papo e tomar umas cervejas, como sempre fazíamos às terças e sextas-feiras à noite.

Estávamos ali já fazia algum tempo, quando fui cutucado por um amigo me advertindo sobre o comportamento de um MP que entre nós se encontrava. Sentado num banco próximo,  de frente para a minha namorada, sem cueca e com um calção boca de sino, ele, de vez em quando, deixava à mostra a sua pica para ela. Fingia não fazê-lo. 

Ao ser flagrado pelo meu olhar, que não olhava a sua pica, mas os seus olhos, fixamente, o tal do MP pegou-se sem jeito, levantou-se e foi sentar-se num outro banco distante, porém próximo a um outro onde várias colegiais estavam reunidas.

Mais tarde, como quem não queria  nada, perguntei à minha namorada se ela havia se dado conta do que fizera o MP. Ela deu com os ombros. Depois, como quem queria me aliviar, comentou que só se prestava a integrar a turma do MP homens grosseiros, cuja a única cabeça que funciona de fato é a da pica.

 

 
Barriga D'água
É lógico que na adolescência - no tempo que a vivi lá em Becê, minha terrinha natal, chão de fronteira, pedaço tupiniquin - muito pouco eu tinha em mente sobre gravidez. Sabia que ela existia, porque via algumas mulheres barrigudas pelas ruas. Sabia também que ela era produto de uma mangaripolada bem dada por algum cabra numa caboca num dos dias em que esta se encontrava fértil.  

Acho que foi isso que andei aprendendo nas aulas de Biologia que tive com o Moaca, talvez. Não me recordo ao certo quem era o professor da matéria nessa época. Recordo, isto sim, de um fato curioso a respeito de uma certa gravidez de uma irmã de um amigo meu. Gravidez da qual nada tive a ver, porque se tratava de uma época em que a única coisa que eu podia engravidar era a palma da minhã mão. Portanto...  

Mas eu dizia do fato curioso da gravidez e o curioso em si é que tanto foram os diagnósticos para o "inchaço" da barriga da tal irmã do meu amigo, que quase ficamos eu, alguns amigos e grande parte da cidade acreditando que se tratava realmente de um cisto, inicialmente. E, depois, de uma barriga d'água paidégua.  

No começo foram esses dois diagnósticos que a família  para justificar o crescimento repentino da barriga da filha mais velha, uma  moça de cor branca, calma, caseira, nem feia nem bonita, nem boazuda nem canhão, delicada nos modos e que àquela altura já tinha atingido a idade adulta. Mas namorado que era bom, necas. Tímida, quem iria imaginar que ela dava as suas escapadinhas.  

Mas escapou.  Numa dessas, devia estar num daqueles dias férteis. Não deu outra. Três meses depois a moça começou a ficar "cheinha". Apesar do viço da pele, o ar que ela estampava no rosto era de preocupação e tristeza. As más línguas logo se apressaram em dizer que era gravidez. Ninguém mais duvidava disso no quinto mês. Só a família insistia em dizer que era barriga d'água, porque o cisto já havia sido descartado.  

A curiosidade na cidade em torno do caso aumentou mais ainda depois que a irmã do meu amigo, do qual continuo não me lembrando do nome, saiu de circulação. Enfurnou-se de vez em casa. Nem na janela mais colocava a cara. O que deu margem para todo tipo de comentário, é óbvio. Coisas do tipo:o pai era o próprio pai;  a garota não saía mais porque tinha sido submetida a um aborto e estava em recuperação; havia tomado chá de leite de mamão verde com chá de folha urtiga e não parava mais de rir, enfim...  

Nada disso fora. E isso ficaria claro nove meses depois, quando por falta de uma boa vedação das frestas da parede de madeira da casa do meu amigo, quem passasse pela avenida 21 de Abril acabava ouvindo o choro de recém-nascido,  ocasiões em que os mais gaiatos não economizavam nos gracejos:  

- Taí a barriga d'água.  

- Engraçado é que ela chora como um bebê.  

 

 

 
O primeiro beijo
Acho que foi num desses canais abertos de televisão que vi algumas adolescentes demonstrando como treinavam para o primeiro beijo de suas vidas. Elas se valiam de laranja, maçã e acho que até gelo para fingir que estavam beijando verdadeiros lábios masculinos. Engraçado e curioso.  

Não me recordo de elas terem justificado a escolha da laranja, da maçã e do gelo. Mas posso supor que a maçã tem a ver com o tal do Paraíso que nós perdemos lá nos primórdios e deve  servir para prepará-las para um beijo mais enxuto, do tipo carnal, rápido e fogoso.  

A laranja, porque é mais suculenta do que a maçã, imagino que seja utilizadal para o aprendizado do beijo mais demorado, melado, apaixonado, ao qual os casais recém-formados recorrem sempre, como direito a carícias de mãos aqui e ali. Algumas vezes, deixando os lábios escorregarem pela região da "tábua do pescoço", como diria Abdala.  

E o gelo? Vamos lá. Pura suposição. Talvez sirva para treiná-las naqueles beijos arrepiantes, que palavras não conseguem alcançar para descrevê-los, nas ocasiões em que os casais já passaram pelos efeitos do beijo-laranja e do beijo-maçã. Deve ter algo mais, para o bem ou para o mal. Deve ser o beijo fatal, sei lá.  

Sei bem que não fiz nenhum treinamento para o meu primeiro beijo. Só sei que ele aconteceu lá na minha Becê, terrinha trigueira, chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim, quando eu ainda era adolescente.  

Teria sido em Nerei? Talvez... 

Quem sabe Rosângela? 

Confesso que não é implicação com a imprecisão na série de cronificadas que aqui tenho escrito. Realmente não me lembro em quem tasquei o meu primeiro beijo. Falo, é claro, do beijo de boca na boca, de língua na língua, do beijo-íngua. Nada de beijo-bitoca, do beijo-borboleta, do beijo-jacinta.  

O que eu sei é que a minha reação ao dito não foi nada nornal. Nem poderia. Estranha, sim. Diria estranhamente boa, para ser mais claro. Nem mesmo sei se era noite ou se era dia, quando ele ocorreu. Sei que não achei legal ter enchido a minha boca com a saliva da parceira.   

Agora possso imaginar porque isso ocorreu. Talvez a moça tivesse treinado antes com laranjas. É bem possível,  desconfio que por pura intuição. Faço essa especulação porque depois, com a repetição dos nossos beijos, chegamos a uma coisa mais enxuta (o beijo-maçã), antes de nos entregarmos aos momentos arrepiante do beijo-gelo.  

Foi isso. Pelo menos é o que acho. Não saberia dizer também como eram os lábios que pela primeira vez beijei. Se eram carnudos, delicados, nem lá nem cá, repuxados. Sei que depois que aprendi a beijar minha vida ganhou outros sentidos estranhamente bons.

 

 
A tal da bezetacil
Quando se está descobrindo a sexualidade, tudo é possível. Às vezes, até recorrer a um amigo que nada entende de injeções para curar um esquentamento no canal urinário. Hoje sei que essa saída é perigosa. Mas confesso que se tivesse sido comigo, talvez tivesse feito a mesma coisa que o meu amigo...Como era mesmo o seu  nome?  

Ih...pode parecer de propósito, mas não é. É que realmente não consigo me lembrar de nomes, datas e outros detalhes nas cronificadas da série Descobrindo a Sexualidade que tenho estampado aqui. Essa é mais uma dessas de vaga lembrança. Menos do fato, que desse me lembro bem.  

Sei que o meu colega era moreno. Um ano ou dois mais velho que eu. Boa pinta e do tipo matador - que na linguagem dos machões significa comedor. Isso mesmo. Mulher que lhe desse bola, chegando à marca do pênalti era gol. Mas, numa dessas, a rede estava puída. Daí que o meu colega começou a sentir queimar o canal da mangaripola ao mijar.  

Ele, no entanto, deu um jeito - não sei que jeito - de arranjar uma bezetacil. Era, na época, o melhor e mais eficaz antibiótico contra a tal da gonorréia. Aliás, foi isso que não sei quem disse que ele contraíra, já que não fora no hospital se consultar. Advertiram-no de que a tal da injeção era tiro e queda.  

Como não queria que ninguém soubesse da sua doença, o amigo do qual lhes falo recorreu a mim para aplicar-lhe a bendita injeção. Pode? Ele, não sei por que, entendeu que sim. Eu iria fazer o quê? E se fosse eu no lugar dele?  Pensei, ponderei, olhei o tamanho do seu bumbum e decidi que sim.  

Peguei lá o recipiente com o líquido que acompanhava a bezetacil, que veio em pó num outro vidro. Acho que serrei com uma faca o pescoço da "garrafinha" com o líquido solvente do pó, preparei a seringa, retirei o líquido, misturei-o ao pó da becetacil, voltei com a injeção pronta, me certifiquei que não havia ar sobrando e mandei bala.  

Nem me lembro se limpei com álcool o local onde introduzi a agulha. Acho que não. Sei que meu amigo resmungou, mas suportou a furada e injeção em si. No início contraiu as nádegas, mas depois relaxou-as. Respirou aliviado quando termei e fez um grande favor a outros seus amigos: indicou a mulher que lhe transmitira a gono.  

Era uma época em que não havia preservativos masculinos sendo vendidos em Becê. Ou será que a gente é que não sabia?. Sei, hoje, que o fato faz parte de um tempo bom, diria, em que doenças sexualmente transmissíveis, como a temível gonorréia, podiam ser curadas com um remédio ministrado por um amigo. Atualmente... 

 

 
A primeira transa, ao vivo
A primeira vez que vi alguém fazendo o que chamam de amor, transando, forunfando, copulando, trepando etc foi quando eu ainda era adolescente lá em BeCê, minha terrinha natal, da qual estou ausente há 10 anos.  

Seria esse o motivo de eu estar me dando ao ridículo de escrever aqui sobre um tempo que lá vivi, tempo em que descobria a sexualidade? Talvez. É lógico que você não tem nenhuma obrigação de continuar lendo este texto, muito menos ver os outros que já fiz sobre o assunto.  

A minha advertência vai agravada com um outro detalhe: este, como os outros textos já publicados na série Descobrindo a Sexualidade, peca pela imprecisão quanto a nomes das pessoas envolvidas, datas, locais, horas...Enfim, é tudo muito vago. Menos o fato em si.  

E como o fato é que importa, vamos a ele. Esse, que trata da primeira e  última transa ao vivo que vi, achou que ocorreu nos fundos do Grupo Escolar Coronel Raimundo Cunha, no bairro de Coimbra, bem ao lado de casa.  

Era noite. Possivelmente entre 20h e 22h. À época, para um lugarejo como Becê, tarde já. Mas nós, meninos do bairro de Coimbra, tínhamos como hábito ir para a cama geralmente às 22H. Na ocasião, não lembro do dia, brincávamos de barra-bandeira quando alguém, não sei quem, disse ter visto uns fulanos entrando no Grupo.  

Interrompemos a brincadeira. Rastejamos barranco abaixo até chegarmos próximo aos fundos do Grupo. De fato, lá estavam. Eram três homens e uma mulher. Um deles parecia ser o Binrá (já falei dele na semana passada). Os outros dois eram Vandevino e Pinak, padeiros do Hemilton.  

A moça (???!!!)...devia se chamar...também desconheço o nome dela. Sei que a apelidavam de Vaca-Tonta. Hoje faço uma idéia por que. Aproximamo-nos um pouco mais e vimos que Valdevino encostara ela na parede e, nus os dois, ele vinha e ia com os seus quadris de encontro ao dela.  

Estavam assim já fazia algum tempo, quando ele acelerou os movimentos. Buscando tê-la sempre mais, ele a suspendeu, ela aproveitou para enlaçar-lhe os quadris. Mais um poucuo e pararam. Vandevino afastou-se.  

Binrá tomou o seu lugar. Mas, ao contrário Vandevino, preferiu deitar-se com Vaca-Tonta no chão frio e duro do educandário. Uma mureta nos impediu que ver como os dois se resolviam. Birá levantou-se alguns minutos depois.  

Pinak entrou em cena. Mas preferiu ficar de quatro com Vaca-Tonta, como se fossem dois cães. Ele por cima dela, puxando o cabelo dela, as ancas dela. Estavam assim já fazia algum tempo, quando um de nós tossiu e os quatro se assustaram.  

Percebendo que tinham sido visto, os três marmanjos debandaram em carreira. Vaca-Tonta, no entanto, agiu como se nada tivesse acontecido. Saiu tranquilamente pela frente do educandário.  

Passado alguns dias, comentando o fato com alguém que agora não recordo o nome, ficamos sabendo que o que vimos foi mais do que uma simples transa. Na verdade, tinha sido uma curra. O mais intrigante é que Vaca-Tonta nada fez para evitá-la.   

Terá sido porque ela era mais vaca do que tonta, ou mais tonta do que vaca? Taí uma questão que até hoje não sei responder. Quem se atreveria?    

 

 
Aprendendo a chegar ao clímax sozinho
Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Não sei. Não diria isso. Esqueci. Não sei extamente quando fiquei excitado a primeira vez, muito menos por quem me masturbei. Sei que deve ter sido quando eu ainda eraadolescente lá em Becê, minha terrinha trigueira, meu chão de fronteira, meu pedaço tupiniquim.  

Tenho a vaga lembrança do tipo de pessoa que me explicou e aos meus colegas do bairro de Coimbra como atingirmos o orgasmo, sozinhos. Era um cara do próprio bairro, uma geração e meia, acho, à frente da minha. Duas. Extrovertido. Um tipo raro que mais tarde viraria motorista de um trator D-4 que a prefeitura usava para abrir novas ruas na cidade nos idos de 80 do século passado. Seria Binrá o nome dele?  

Bem, isso é o que menos importa. Era um domingo. E domingo, numa cidadezinha do interior como Becê, à época, era uma modorra só. Daí que, depois do almoço, o jeito era deixar a comida se acomodar no bucho, dar um tempo, e partir para a pelada no campo de pó-de-serra da serraria Incom, que ficava atrás de casa.  

Não sei em qual posição o Binrá jogava. Se era zagueiro, lateral, goleiro...Hoje percebo que ele era da linha de frente dos caras um pouco mais vividos da nossa pequena Becê. Nem sei também como surgiu a idéia de ele nos mostrar como chegarmos aos orgasmo sozinhos. Sei que isso ocorreu, com a parte final totalmente explícita.  

- Não conseguiria levantar a mangaripola com tanta gente me olhando - diria depois Binrá.

Alguns instantes depois de ter se afastado para trás de um pilha de tábuas de virola que secavam ao ar livre, ele reapareceu. Estava de mangaripola atiçada. A mão direita envolvendo-a, sem sufocá-la totalmente, num movimento contínuo, subindo e descendo.

- É fácil, vejam - comentava  

De fato parecia fácil. 

Havia um ar de felicidade tomando conta do seus olhos. Olhos que ora se abriam levemente, ora se fechavam firmemente. De repente, Binrá começou a balbuciar alguma coisa como um nome de mulher. Talvez Stella, uma das mulheres mais desejadas à época na minha pequena Becê. Murmurava palavras inaudíveis.  

- Agora, agora, agora...  

Uma espécie de baba tal como clara de gema saiu como um jato da sua mangaripola, quase atingindo não sei quem de nós, os expectadores de uma aula sobre como bater uma punheta. Pode? Na adolescência, quem ousaria dizer o que não é possível? Alguém que quase fora atingido pela tal baba, resmungou:  

- Sai pra lá, adjudia.  

- Isso é a gala - disse Birá, ainda ofegante, limpando a mão direita na barra do calção. - É nela que ficam um bichinhos que engravidam as mulheres.  

Não me lembro de alguém lhe ter perguntando alguma coisa. Mesmo assim  Binrá disse mais:  

- Se na cidade já circulassea Playboy ou a  Ele e Ela, ou tivesse banca vendendo livrinhos de sacanagem, como lá em Manaus, seria mais fácil pra vocês encontrarem  inspiração para a punheta.

 

 
Mangaripolas diversificadas
Bem que eu queria me lembrar de nomes, datas...Porém, embora não faça tanto tempo assim, têm sido vãs as minhas tentativas nesse sentido. Menos mal que me recordo do fato em si, que é o que importa.

E esse é mais um dos que aconteceram lá em Becê, quando eu ainda era adolescente e estava descobrindo a sexualidade. Tem a ver com mangaripola.

Mangaripola, para quem não sabe, quer dizer o mesmo que pimba. Era assim que eu e meus colegas do bairro de Coimbra nos referíamos aos nossos sexos.

Aprendemos com os mais velhos que pimba soavamelhor que rola, pomba, cacete, pau, caralho e outras denominações populares para o termo pênis. Este sim, feio e confuso aos ouvidos, podendo ser tomado como tênis. Disso eu sabia.

O que eu não sabia  era que houvesse variados tipos de mangaripola. Engraçado  foi a forma como eu e alguns de meus colegas ficamos sabendo disso, fato com o qual contribuiu um irmão de um amigo cujo nome não me recordo.

Recordo que estávamos disputando uma pelada (jogo de futebol informal), quando Juscelino deixou o campo e saiu pela lateral em direção a uma moita.

Nas imediações morava o nosso amigo que tinha um irmão com trejeitos afeminados. Algum tempo depois, Juscelino saiu detrás da moita, tendo no seu encalço o tal do irmão do amigo que nas imediações morava. Dizia:

- É peta. A bicha dele é peta, petinha que eu vi...

Interrompemos a pelada e, como Juscelino tivesse ficado meio sem graça, resolvemos nosostros, seus amigos, prestar-lhe solidariedade. Daí a pouco estávamos todos com os calções na altura dos joelhos, com asmais variadas mangaripolas  à mostra.

Algumas eram maiores do que as outras. Havia branquelas, morenas e pretas, como a do Juscelino. Umas mais grossas e outras nem tanto. Certinhas. Havia as entortadas ora para a direita, ora para a esquerda. Bicudas. Rombudas. Esfoladas. Com couro sobrando na ponta.

Enfim, depois de enchermos os olhos do irmão do nosso amigo  com tantas mangaripolas, e por tabela, os nossos próprios olhos, trouxemos os calções para a posição normal e continuamos a pelada.

Afinal, no curto espaço de tempo que estivemos com as elasde fora, algumas começaram a ficar excitadas. Quem garantia que não viriam a "babar" de raiva a qualquer momento. Bem, sobre isso falaremos no próximo sábado.

 

 
Caco disso e varejo daquilo
Meu primo João era em tudo, e por tudo, exagerado. Eu ainda era adolescente lá em Benjamin Constant, mas me lembro bem.

Lembro, por exemplo, que se a brincadeira era de jogar pião, lá vinha ele com a sua carrapeta incomparável, do tipo que chegava a ficar uns bons minutos "dormindo" enquanto girava.

Se consistia em expulsar do "panelão" o pião adversário, usava a sua carrapeta só para triscar e ajudar os amigos a fazer o serviço. Ao fazê-lo, ficava exageradamente alegre.

Nunca "nicava" o pião perdedor com a sua carrapeta, usava um pião velho. Exagerado como era,preferia usar um f'acão para "nicar" o outro pião. Acabava, é claro, partindo-o ao meio. Ria à beça. Questionava, depois:

- Nicar para quê?

Se a brincadeira era de soltar papagaio, ou pipa, lá vinha meu primo com um cerol difícil de ser vencido. Pra completar, bem ao seu estilo, escastoava várias giletes na rabiola da pipa. Quando flechava de banda para cima das outras pipas, se o vento tivesse soprando a favor, não ficava uma no ar.

Jogando "peladas" no campo de  pó-de-serra da serraria Incom, não havia nas imediações quem  mais tinha o chute forte. A sua "bicuda" era capaz de fazer a bola atravessar o igarapé Esperança, interromper o jogo até que alguém ou ele mesmo se jogasse n'água e a fosse buscar.

Pescava. Nisso era doutor. Aprendeu cedo com o pai, Antônio Cruz, de quem ganhou na infância uma tarrafa de presente. Depois que aprendeu a tarrafear foi sempre aumentando um ponto ao tamanho das que mandava fazer, até que ele mesmo aprendesse a tecê-las. Chegou a tarrafear com uma de 42 pontos, a maior da cidade.

Ria-se dos seus exageros. Outras vezes, gabava-se deles. Como o fez quando, um dia, nos dirigíamos para a "pelada", depois de termos soltado pipa e jogado pião. Pegou-me pelo braço e comentou, exageradamente alto:

- Ontem foi caco disso e varejo daquilo pra tudo quanto é lado.

Sem saber do que se tratava, esperei pelas suas explicações. Ele nada disse. Mas logo entendi do que se tratava, quando João me mostrou a sua cueca manchada de sangue. Pena que depois ele veio a saber que a menina estava de bode. Mesmo assim ele riu à vontade.

 

 
Bendita Edith
Azeitona é afrodisíaca? Ou será que a flor dionisíaca era Edith, a gaúcha. Ainda hoje tenho esta questão mal resolvida. Vem lá do tempo em que eu era adolescente e estava Descobrindo a Sexualidade lá em Becê.

Lembro que tirava azeitona com Orsine, meu amigo e viznho. A árvore ficava numa "língua" de terreno que nos sobrou no início da década de 70 do século passado, quando o Governo Federal desapropriou uma grande parte do terreno da minha avó para ceder à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.  

No lugar onde antes morávamos, a PUC instalou o seu Campus Avançado do Alto Solimões (CAAS), um conjunto de prédios e alojamentos para receber e administrar as atividades de campo - espécie de internato rural - dos formandos de vários de seus cursos. Praticamente a cada três meses tinha uma turma nova de guris e gurias no pedaço.  

Edith, o irmão Lourenço e o Adroaldo, fizeram parte da primeira leva de administradores (CAAS). Os  dois eram tipicamente gaúchos, branquelos e meio sem graça. Ela, uma bela morena, estatura média-alta, olhos esverdeados e do tipo boazuda. Isso mesmo! Eu  ouvia muito bem falarem isso na cidade.  

Me convenci da fama de Edith num dia em que eu e Orsine tirávamos azeitona na nossa azeitoneira, que ficava, como disse antes, num terreno contíguo ao da PUC. Não trepei na árvore. Tarefa que coube ao Orsine. Fiquei cá em baixo, esperando que ele jogasse as azeitonas para mim. Azeitonas pretas. Era o que ele fazia, quando não estava comendo algumas delas.  

Passado algum tempo, percebi que Orsine parara de jogar azeitonas. Não reclamei porque já tinha em mãos bastante delas. Estava eu comendo algumas, imaginando o quanto escura minha língua ficava, quando ouvi galhos estalarem.  

Orsine havia se desequilibrado e veio parar no chão, quase em cima de mim. Podia ter me matado, o puto.. Recuperado do susto, percebi que ele estava com o short na altura dos joelhos. E o que é mais estranho, a mangaripola duro. Olhou-me meio sem jeito e comentou:

- Quebrei a munheca.

- Menos mal, podia ter sido outra coisa se tivesse caído de barriga. Aí você estaria ferrado, meu.

- Bendita Edith - ele falou como se murmurasse. Em seguida apontou com o dedo na direção do CAAS e ainda pude vê-la, enrolando-se na toalha que usara para banhar-se de sol.

 

 
Esfregando o cacetón na mierda
Sei que ocorreu em Islândia, província peruana algumas remadas de Benjamin Constant. O nome do protagonista não sei. Mas o enredo do fato, sim. Fato do tipo tragicômico. Nessa época eu ainda era adolescente e estava Descobrindo a Sexualidade.

O peruano era conhecido. Morava numa das casas-balsas de Islandia e tinha vários conhecidos benjaminenses. Muitos dos quais trabalhavam no setor madeireiro. E foi justamente sobre uma tora que o lance se deu.

Não sei, nunca quis saber, mas diziam que o tal peruano era do tipo bem-dotado. Gostava de tomar umas cervejas San Juan e comer sebite. Já estava, digamos, pra lá da meia-idade. Era afoito. Não podia ver mujer, muito menos brasilenãs, pela quais era gamado.

Quando o tal do lance ocorreu, ele bebia com os amigos na varanda da sua casa-balsa. Morava sozinho. Era domingo, à tarde. Lá pelas tantas bateu uma vontade louca de estar com uma brasileira. O que não era difícil. A cinquenta metros dali, logo subindo o porto de Becê, vivam algumas de "vida fácil".

Daí a pouco, o tal do peruano estava  acompanhado de uma delas. Mais pra lá do que pra cá, despediu-se dos amigos e entrou. Antes, liberou os amigos para pegarem as cervejas que quisessem na geladeira a querosene. E que comessem à vontade. Ele iria papar outra coisa.

Não tinha completado meia hora quando o  peruano reapareceu com um ar de decepcionado. A mujer brasileña, mais ainda. Resmungava e exigia o pagamento. Os amigos resolveram esta parte e um voltou a deixá-la em BeCê.

O peruano achegou-se à roda novamente, nada falou, nem os amigos lhe perguntaram alguma coisa. Tomou dois ou três copos seguidos de San Juan, quente, porque é assim  que peruano prefere. Comeu um pouco de sebite e eis que, de repente, sentiu um vontade incontrolável de cagar.

O rio estava cheio. Havia um "pente" de madeira quase em frente à casa-balsa do peruano. Foi para uma das toras que ele correu, a fim de satisfazer a sua necessidade fisiológica. A água do Javari corria Solimões abaixo. 

Estava o peruano cagando, quando o seu cacetón começou a ficar bambo. Ele achou estranho, mas não deu-lhe bola. Mais um pouco e o bicho estava mais aceso, evoluindo para um bambo quase duro, porque durão o bicho não ficava mais. Irritado, o peruano pegou-o pelo meio e esfregou-lhe a cabeça na merda. DE onde estavam, os amigos o ouviram comentar: 

- "Ah, bien...ahora vais comer mierda".

 

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